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Reflexão do dia 10/05/2011 ao dia 16/05/2011: Refletindo sobre o tempo...
Vivemos no tempo. Fomos inseridos nele. Por isso ele nos afeta diretamente. Por vezes, também ele nos controla e nos atormenta. Regula a nossa vida! Pois bem... Como sabemos, o tempo sempre foi tratado como um conceito adquirido por vivência, indefinível em palavras. Santo Agostinho confirma tal assertiva, ao responder, já no século IV, à indagação sobre o que é o tempo da seguinte forma: `se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei''.
Corre também o provérbio “Passado é passado. Não volta; presente é presente, o hoje, o agora; e o futuro a Deus pertence!” Falamos muito em tempo físico, tempo cronológico, e por isso esquecemos o que é essencial: viver intensamente cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo. Deveras, não importa a quantidade de anos vividos, e sim a qualidade, o modo com que se vive. Conheço pessoas que viveram 90, 80, 70 anos, cronologicamente falando, mas se for pensar na intensidade com que tais pessoas viveram, percebe-se que viveram tão pouco.
Se formos analisar o tempo de Deus, para Ele “mil anos é como um dia e um dia é como mil anos (II Pedro 3,8). Deus não se preocupa tanto com esta noção de tempo. Para Ele não existe nem tempo nem espaço. Mas nós sabemos que o tempo cronológico é importante porque nele acontece, se desenvolve e se revela a nossa existência. Em outras palavras, nossa essência (o que somos) se dá na existência (no agir, no fazer humano).
Por fim, creio que muito mais do que nos preocuparmos com a quantidade de anos que viveremos, procuremos viver bem intensamente com todos que nos cercam, praticando o que há de mais nobre e elevado: o amor, a solidariedade e a fraternidade.
Reflexão do dia 03/05/2011 ao dia 09/05/2011: Sobre o trabalho humano
Vivemos no mundo. Nossa essência, isto é, nosso ser, se manifesta na existência. Através dela construímos nossa identidade e manifestamos quem somos. Digo ainda mais: o mundo nos é dado como dom e como tarefa, isto é, vivemos nele, por graça de Deus, mas também trabalhamos e cooperamos na construção de um mundo mais humano e fraterno. Corre o dito popular que o “trabalho dignifica o ser humano”, o que não deixa de ser verdade. Pelo trabalho garantimos não somente o pão nosso de casa dia, mas também o nosso conforto e nossas necessidades humanas. Todo e qualquer tipo de trabalho, seja ele doméstico, intelectual, braçal, educativo, administrativo, religioso... é uma forma de contribuir com a criação, com o nosso bem e com o bem de todos os seres humanos.
Que São José Operário, patrono dos trabalhadores, interceda a Deus por todos os trabalhadores e trabalhadoras, desempregados e desempregadas, a fim de que tenham uma vida digna e humana, e que nunca lhes faltam o pão de cada dia! Que o trabalho nos ensine e nos motive a buscarmos a santidade, fazendo sempre bem e da melhor maneira possível aquilo que nos é proposto, e a atingirmos nossa qualificação e realização pessoal e profissional.

P.S. Sugiro a vocês a leitura da encíclica Laborem Exercens, do beato João Paulo II.
Reflexão do dia 26/04/2011 ao dia 02/05/2011: O dom da fé
Alguns fatos que acontecem em nossa vida têm caráter indelével. Por isso ficam marcados por toda a vida. E este fato que vou contar foi um deles que me marcou. Em janeiro de 2003 participei de uma missão na cidade de Boa Vista do Buricá, interior do Rio Grande do Sul. Visitava, com os demais missionários, todas as casas e famílias deste povoado. E quando estava pregando e orando em uma das casas, uma criança de 12 anos me disse: Rodrigo, eu não acredito em Deus. Se Deus existe porque as pessoas sofrem? Porque Deus levou embora minha mãe, ainda tão jovem, no ano passado? Pensei comigo: o que responder a uma criança de 12 anos? Não sei se minha resposta foi tão clara e coerente. Em primeiro lugar comecei falando sobre a experiência de Jesus Cristo, sua paixão, crucifixão e morte. Se Jesus Cristo, o Filho de Deus, passou por sofrimentos e por momentos dolorosos, conosco não pode ser diferente. Vede bem. O sofrimento levou Cristo à glória da Ressurreição. Conosco também é assim. O sofrimento nos purifica, nos liberta, nos educa. Corre até o dito popular: “se não aprendemos pelo amor aprendemos pela dor”. Em segundo lugar, quanto à morte de sua mãe, disse a ele que tudo tem o seu tempo. As plantas nascem, crescem e morrem. Faz parte do ciclo da vida. O próprio Jesus Cristo nos ensinou que “ é morrendo que se vive para a vida eterna” e “que na casa de Seu Pai há muitas moradas, e que se assim não fosse ele nos teria dito o contrário”. Disse também a ele: amigo, nesta vida, se não tivermos fé, um referencial, um paradigma, um porto seguro, nossa vida fica sem sentido. O ser humano, com sua racionalidade e inteligência, não é soberano em tudo. Somos seres espirituais. Portanto, a fé é uma realidade, um fenômeno que nos afeta. E a fé vem em nossa auxilio para explicar e clarificar o que pela razão humana não se explica. Terminei meu diálogo com o menino rezando e pedindo ao Senhor o dom da fé, a exemplo de São Tomé, que também duvidou acreditando e acreditou duvidando, ao orar: “Creio, Senhor, mas aumentai minha fé”.
Reflexão do dia 19/04/2011 ao dia 25/04/2011: Caminhando para a Páscoa...
Caros irmãos e irmãs na fé.

A Páscoa se aproxima. Nesta Quaresma estamos caminhando com o Crucificado para celebrarmos o Ressuscitado. Por isso a luta contra o pecado, contra o homem velho que mora em nós. É tempo de renovação, de mudança de atitudes, de gestos e de conduta. Em cada ano temos a oportunidade de viver a Páscoa. Por vezes, não a vivemos de modo pleno. Não evoluímos. Estacionamos na morte, na cruz, no pecado, no sofrimento. Não vamos além, isto é, não permitimos que Deus realize sua Páscoa em nós. Sabemos, pela fé, que a graça de Deus tudo pode. Mas sabemos também que nosso esforço e nossa adesão a Deus é fundamental. Tanto é que Deus não nos obriga a nada. Por isso somos livres para optarmos por Ele ou não. A Páscoa está próxima e sua vivência plena dependerá de nossa preparação e motivação para tanto.
Oxalá possamos acolher e viver esta vida nova que Cristo veio nos oferecer através de sua vida, paixão, morte e ressurreição! Podemos dizer que o testemunho de Cristo foi coerente. Falou e demonstrou, com sua própria vida, o quanto nos ama e o quanto quer que sejamos felizes! Por isso, sejamos bem-aventurados, trilhando sempre os Seus caminhos!
Reflexão do dia 12/04/2011 ao dia 18/04/2011: O ensino de leitura, a pesquisa e a universidade
Intenta-se, com este texto, trazer a lume a importância da linguagem, sobretudo no que tange à escrita e à leitura, interrelacionando estes três elementos que se cruzam: o ensino de leitura, a pesquisa e a universidade.
Dado à evolução da escrita, hodiernamente falando, é impensável conceber o ser humano e o mundo em que vivemos sem ela. É incontestável que ela é um grande legado que os antepassados deixaram à humanidade e que, ao longo do tempo foi, e ainda está sendo, aperfeiçoada. Para comprovar esse fato, cito como exemplo as Sagradas Escrituras. Toda a experiência do povo de Deus foi ali registrada, e graças a elas, temos acesso à Palavra de Deus. Na Idade Média, a Igreja Católica preocupou-se em registrar, conservar e reproduzir muitos escritos antigos, com o intuito de jamais apagá-los da história, e assim poder transmiti-los às gerações futuras. De fato, sem a escrita e sem leitura não haveria história, não haveria comunicação, nos moldes atuais, e tampouco conhecimentos preservados. Por isso não é exagero fazer tal afirmação, pois, sem a escrita e sem a leitura, seríamos pessoas bastante vazias, incultas, mal formadas e informadas. Mallarmé afirma que as palavras têm um poder transformador em nossas vidas. Com algumas letras do alfabeto podemos transformar o mundo. Para tanto precisamos dominar a linguagem o suficiente para bem escrever, ou seja, escrever de modo claro, preciso e objetivo. E para isso quanto mais leitura e escrita, maior será o nosso mundo, ensina-nos Carlos Nejar. E trazendo esta temática para o âmbito acadêmico, não querendo cometer uma generalização apressada, tanto no ensino médio quanto no fundamental, não fomos educados para a leitura. Lia-se com segundas intenções, para aprender gramática, por exemplo. Assim perdíamos o literário, o texto em sua íntegra. As teorias, por vezes, eram ensinadas, popularmente falando, de modo ‘mastigado’. Agora na universidade percebemos o quanto não somos proficientes em leitura e o quanto, pela falta de hábito, não lemos o que deveríamos ler. Mario Quintana tinha razão ao dizer: “O verdadeiro analfabeto não é aquele que não sabe ler, mas aquele que sabe ler e não lê”. Tanto é que no Brasil a taxa de analfabetos funcionais é muito grande. Quanto maior nosso interesse pela leitura e pelos tipos de leitura, e pela pesquisa, maior será o nosso horizonte, bem como nossas possibilidades vindouras.
Tendo em vista o que foi dito, graças à leitura e à pesquisa, cultivadas no campo universitário, somos o que somos. É incalculável os benefícios que elas nos proporcionam e, com certeza, ainda proporcionarão, à medida que nos dedicarmos a elas e delas soubermos fazer uso.
Reflexão do dia 05/04/2011 ao dia 11/04/2011: Sobre os relacionamentos III
Já escrevi em outros artigos que o ser humano não é uma ilha. É um ser social, que vive e convive com as demais criaturas. Ele interage o tempo inteiro: com pessoas, com a natureza, com tudo o que existe e foi criado,e também com Deus, visto que o espírito é uma das dimensões presentes na vida humana.
Olhando ao nosso redor, hodiernamente falando, e não querendo aqui cometer uma falácia, mais especificamente uma generazalição apressada, percebe-se o quanto as relações humanas estão cada vez mais difíceis. Por exemplo: procura-se muitas vezes um 'amigo', tendo em vista somente interesses pessoais. Pura ilusão! É uma falsa amizade! Os nossos amigos contam-se nos dedos.
Também no âmbito familiar e de relacionamentos constata-se tal realizade. Casa-se hoje e separa-se amanhã. Não há uma preocupação e nem se pensa em construir e viver uma vida conjugal feliz e duradoura. Trai-se direto. Zygmunt Bauman, em seu livro "Amor líquido" aborda justamente tal questão, quando diz que "a modernidade líquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos, um amor líquido". Zygmunt Bauman investiga nesse livro de que forma as relações tornam-se cada vez mais 'flexíveis', gerando níveis de insegurança sempre maiores. A prioridade a relacionamentos em 'redes', as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade - e freqüentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual -, faz com que não saibamos mais manter laços a longo prazo. Mais que uma mera e triste constatação, esse livro é um alerta - não apenas as relações amorosas e os vínculos familiares são afetados, mas também a capacidade de tratar um estranho com humanidade é prejudicada.
Em nossa relação com a natureza e com o mundo percebemos também tantas maldades e agressões: poluição, desmatamentos, queimadas... O ser humano apenas quer tirar proveito, e não mede o mal que faz ao planeta em que ele vive. Não se dá conta que está se auto prejudicando.
Nossa relação com Deus parece por vezes não ser diferente. Fizemos mil e uma promessas: "Se Deus me conceder tal graça eu vou doar pirulitos e balas aos pobres" ou "Se Deus me curar de tal doença eu vou caminhar 25 quilômetros até o Santuário de Lourdes". Ou seja, nossa relação com Deus muitas vezes se torna uma relação de interesse, tendo em vista nossas necessidades e carências.
Permitamo-nos refletir no silêncio do nosso coração como estão as qualidades de nossas relações em todos estes segmentos que acabamos de ler. Boa reflexão!!!
Reflexão do dia 29/03/2011 ao dia 04/03/2011: Uma reflexão de Caio Fernando Abreu
Sou fã de Caio. Por isso trago aqui uma de suas belíssimas reflexões. Digo mais: ainda quero trabalhar alguns de seus contos no meu trabalho de conclusão de curso.

"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar".

Caio Fernando Abreu
Reflexão do dia 15/03/2011 ao dia 28/03/2011: Repensando nossas atitudes em relação ao mundo e às pessoas...
O ser humano não é uma ilha. É um ser social, vive e convive com os demais seres. Por mais que queiramos viver isoladamente, isto é impossível, pois somos seres relacionais. Interagimos o tempo inteiro: com as pessoas, com a natureza, com Deus, com os animais, com o planeta. E mais: não somos somente um ser no mundo. Cooperamos e trabalhamos na construção de um mundo mais humano e fraterno. Aliás, com o tema da Campanha da Fraternidade deste ano de 2011, somos convidados a refletir sobre a vida humana no planeta diante de tantas catástrofes e intempéries que tem acontecido ao nosso redor. Nem sempre nossa relação com as pessoas que convivemos e com o mundo onde vivemos é pacífica, tranquila, harmoniosa. Creio que para vivermos bem, tanto na relação objetiva que se estabelece com o mundo quanto na relação interpessoal, precisamos repensar nossos atos, bem como nossa atitude diante da natureza e das pessoas que convivem conosco. É por isso que se diz: "O futuro está em nossas mãos e só depende de nós". Deveras fomos criados para o bem. Oxalá a razão humana, com a qual fomos dotados, possa sempre beneficiar o ser humano e não causar tantas destruições e morte como tem se visto frequentemente.
Reflexão do dia 08/03/2011 ao dia 14/03/2011: Quaresma 2011
Jesus Cristo, através de sua Igreja, todos os anos, nos dá a graça e a oportunidade de vivermos e fazermos este retiro espiritual durante estes 40 dias que antecedem a Páscoa, denominado quaresma. Tempo propício para que o Espírito Santo converta o nosso coração Àquele que, se ainda não é, deverá ser a razão e o motivo maior de nossa vida. Tempo de jejum, esmola e de oração. Estas três armas nos levam a um encontro maior com Deus e com os nossos irmãos e irmãs. Jejum significa penitência, mas também partilha e sacríficio. Deixar de comer algo e ofertar a alguém que não tem o que comer. Deixar de ver um filme ou uma novela que tanto gostamos. Esmola significa caridade,amor pelo próximo. Já dizia São Francisco de Assis: "quem dá esmola aos pobres empresta a Deus". E oração significa estarmos intimamente unidos a Jesus Cristo através de um diálogo amoroso e recíproco com Aquele que nos ama. A oração nos leva a um conhecimento maior de Jesus e de seu mistério. A oração é o impulso e a força que temos para enfrentar as dificuldades em nossa vida. A oração aumenta nossa fé e nossa esperança em relação à vida, ao mundo e às pessoas. Ela é o que temos de mais poderoso neste universo, neste planeta. E por falar em planeta, o tema da Campanha da Fraternidade deste ano é justamente este: “Fraternidade e a vida no planeta” e o lema “A criação geme como em dores de parto”. Que possamos, nesta Quaresma, ser sacramento visível da vida em nossa ações e gestos concretos. Este é o desejo e a razão pela qual Cristo veio até nós: "para nos dar vida e vida em abundância" (Jo 10, 10). Sejamos também nós portadores desta boa notícia!
Reflexão do dia 1º/03/2011 ao dia 7/03/2011: Refletindo o poema 'Aula de português' de Carlos Drummond de Andrade
Aula de português (Drummond)

'A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério'.

Trago este poema do Drummond para mostrar e elucidar o quanto precisamos conhecer este 'mistério', isto é, a língua portuguesa ensinada nas escolas, a língua culta e normativa, baseada na gramática tradicional. Creio que tanto a língua falada, marcada pela coloquialidade, quanto à língua culta são importantes. Portanto, num ato de comunicação, devemos levar em consideração o contexto e as circunstâncias do momento. Por exemplo, em uma redação, nem todos os padrões aceitáveis na fala devem ser transferidos na escrita. Assim no campo acadêmico não será visto com bons olhos quem diz "que seje" ou que escreva "progeto". Bom, creio também que todos nós somos dotados de linguagem. Nascemos com uma língua internalizada que se externaliza nos usos concretos, em situações de comunicação. Por isso não devemos dizer que não sabemos português, pois usamo-lo diariamente. Convivemos todo momento com nossa língua materna. Talvez desconhecemos a gramática, o português culto e normativo. Para tanto, se linguagem nos dá prestígio e poder, bem como aumenta o nosso conhecimento de mundo, precisamos conhecer e aprofundar o conhecimento da língua através do estudo das gramáticas. Precisamos estudar e se debruçar sobre como se dá o funcionamento e a estrutura de nossa língua. Quanto mais fizermos isso, cada vez mais este mistério, como nos disse Drummond, será desvelado, conhecido e familiar a nós.
Reflexao do dia 22/02/2011 a 28/02/2011: Sobre o tempo III
"Toma o tempo para pensar porque esta é a verdadeira força do homem.
Toma o tempo para ler porque esta é a base da sabedoria.
Toma o tempo para rezar porque esta é a maior força (poder) sobre a terra.
Toma o tempo para amar e ser amado porque este é um privilégio dado por Deus.
Toma o tempo para ser amável porque este é o caminho da felicidade.
Toma o tempo para rir porque o sorriso é música para a alma.
Toma o tempo para dar porque o tempo é muito curto para ser egoísta".

Autor desconhecido
Reflexão do dia 15/02/2011 à 21/02/2011: Sobre a importância do silêncio em nossa vida II
Hoje estava indo para o trabalho, quando deparei-me no ônibus com um poema (hai-kai), cujo autor desconheço. Aí está o poema ipsis literis:
"Frágil é o silêncio
Uma palavra apenas
Pode destrui-lo".
Os padres do deserto e muitos monges, como Evágrio Pôntico, Santo Antão, entre outros, nos falam acerca da importância e do cultivo do silêncio. Por isso, muitas vezes é preferível que silenciemos a nossa voz e o nosso coração. Deixemos vir o silêncio. As palavras, por vezes, dizem tão pouco. Apenas fazem ruídos. Talvez seja por isso que Jesus, como descrevem os evangelistas, retirava-se para o silêncio, para o monte, para a oração. O silêncio leva-nos, sem dúvida, para o encontro com Deus, conosco mesmos e com os irmãos.
Que aprendamos com Jesus o cultivo e o hábito do silêncio em nossa vida, e assim, possamos colher os frutos e as graças que o silêncio nos traz. Amém!
Reflexão do dia 08/02/2011 à 14/02/2011: Sobre a colheita dos frutos e das flores em nossa vida...
Diz o ditado "que na jornada da vida precisamos de alguém que nos aponte as flores do caminho". E é verdade. Infelizmente, nossa tendência humana é que apontemos sempre os erros, os defeitos, as coisas ruins, tanto presentes no mundo quanto nas pessoas. Somos pessimistas, negativos. É como diz aquela historinha. Diante de um copo com um pouco de água em seu interior, podemos dizer: "Que bom! Aos poucos meu copo está enchendo" Ou "Olha só este copo. Está bem vazio. Falta muito para enchê-lo".
Precisamos aprender a arte de viver bem. Para isso, precisamos saber elogiar uns aos outros. Precisamos ficar com a melhor parte, isto é, ser otimistas em relação à vida, ao mundo e às pessoas. Precisamos valorizar a bondade, o bem e a beleza de cada ser. Todos sabemos que o bem vence o mal. Afinal de contas, Cristo venceu a morte! Que possamos, ao longo de nossa vida, com a ajuda daqueles que nos amam e vivem ao nosso redor, colher as flores e os frutos que plantamos ao longo de nossa vida, que por vezes passam sequer despercebidos. Assim, tenho a certeza que seremos muito mais felizes!
Reflexão do dia 01/02/2011 à 07/02/2011: O ensinamento de Parmênides e de Heráclito para nós.
Quero, nesta reflexão, ater-me aos dois filósofos pré-socráticos, Parmênides e Heráclito, e assim, relacionar seus dois pensamentos principais e trazê-los presentes para a nossa vida. Parmênides, acreditava e afirmava que "o filósofo não se deve ocupar senão da verdade. De uma verdade uma e imutável, pois o ser é unidade e imobilidade.” Heráclito, em contrapartida, acreditava que “tudo passa e que nada subsiste... Nada existe, mas tudo se transforma” Ou seja, o frio se torna quente; o úmido se torna seco; o jovem se torna velho. A vida onde tudo passa é comparável a um rio: não nos banhamos duas vezes nas mesmas água.
Enquanto o primeito afirmava que o ser humano é imutável, estático, o segundo acreditava na mudança, na transformação. E que bom que nós seres humanos evoluímos, crescemos. É natural, próprio da vida humana. Um dia todos fomos bebês, crianças, jovens, adultos e um dia chegaremos à velhice. Não apenas quero restringir-me a aspectos biológicos, mas também a nível psicológico, intelectual. Quantas vezes mudamos nossa mentalidade e nosso jeito de ver o mundo e de ver as pessoas! Quantas e quantas vezes mudamos o trajeto e o rumo de nossa vida! Quantas escolhas positivas e negativas fazemos ao longo de nossa vida! É lamentável ouvir de muitas pessoas. "Eu sou assim e não mudo. Aceite-me do jeito que eu sou e ponto final". Do contrário, temos tantas pessoas que se converteram, ou seja, que mudaram de ideologia, de conduta, de vida, de religião. Saulo, por exemplo, tornou-se Paulo. Por isso devemos sempre acreditar no bem e na mudança do ser humano. Não devemos julgar ninguém, muito menos condenar e sermos preconceituosos para com os outros. Já diz o velho ditado: "A esperança é a última que morre." Por isso acredite, esforce e lute em ser sempre você e em ser sempre melhor! Temos potencial tanto para fazer o bem quanto o mal. Só dependerá de você e de ninguém mais. Graças ao bom Deus, evoluímos, transformamos e somos transformados!
Reflexão dos dias 23/01/2011 à 31/01/2011: Quando só Deus é a resposta!
Caríssimos amigos e amigas.

Todos nós já passamos por momentos dolorosos, por sofrimentos, angústias e dificuldades. São componentes que nos afetam, pois, afinal de contas, somos seres humanos imperfeitos, limitados, incompletos, finitos, necessitados da Graça e da misericórdia divinas! Nascemos para o Alto, para as Coisas dos Céus. Transcendemos, vamos além do que é terreno, material, imanente.
E por vezes, amados (as), como é bom quando nos damos conta de que não estamos no caminho certo, isto é, quando não caminhamos com Deus ao nosso lado, quando não fazemos Dele o nosso ideal e a nossa meta!
Cegos pelo pecado e afastados de Deus não nos damos conta do quanto estamos sujos, na lama, tristes e angustiados, com profunda depressão e solidão.
Escrevo este artigo porque já passei por tudo isso que estou escrevendo e testemunho a vocês de que só em Deus encontraremos a resposta para as nossas dúvidas, a razão e o motivo principal de nossas vidas! Quando O perdemos de vista, caimos facilmente e consequentemente, perdemos o rumo e a estrada certa!
Tenha esta certeza: Em Cristo, Filho de Deus, você encontrará respostas às tuas dúvidas e questionamentos, força para a jornada, alegria para o coração, alimento para a tua fome e água para a tua sede! Confie! Acredite!
Reflexão semanal do dia 21/10/2010 ao dia 28/10/2010: Jesus: certeza da ressurreição!
A comemoração de todos os fiéis falecidos remonta-nos ao ano 998. A divulgação desta comemoração se deve a Santo Odilon, que introduziu esta prática em todos os mosteiros beneditinos ligados ao de Cluny, na França.
Em 1311, a Santa Sé oficializou a memória dos falecidos, estendendo-a a toda Igreja Universal, que no dia 2 de novembro, oferece uma celebração anual a todos seus filhos que adormeceram em Cristo, aos quais procura ajudar diante de Deus com poderosos sufrágios, para que sejam associados aos cidadãos do céu.
Deste modo, pela comunhão de todos os membros de Cristo, ao mesmo tempo que implora auxílio espiritual para os defuntos, inspira aos vivos consolação e esperança, bem como a intercessão dos fiéis falecidos em nosso favor, a fim de bem vivermos a nossa vocação e missão terrenas, rumo à eternidade.
Para muitos, a morte é uma incógnita! Quando sobrevem a dor pela perda de um ente querido, surgem várias perguntas. Torna-se extremamente difícil e penoso entender a morte, ainda mais de alguém próximo. É comum nesse momento incriminar Deus, que parece surdo. Então, o desabafo explode: Ele se torna o culpado, o responsável!
A fé cristã revela-nos, que na ressurreição de Jesus Cristo, encontra-se a resposta à morte e a todo processo de dor e limitação pelo qual passa o ser humano. Aí se dá a demonstração concreta do amor salvador de Deus. Se Cristo ressuscitou, também ressuscitaremos.
Portanto, para estarmos de bem com a vida e a morte, para viver serenamente, nada mais ensinador do que o aviso de Cristo: estejam sempre bem preparados porque não sabem nem o dia nem a hora”.
Quem em regime de fé aceita que a Ressurreição de Cristo é garantia de vitória da vida sobre a morte e da Ressurreição futura de cada um, tem a justa compreensão do verdadeiro culto aos mortos.
Deixemo-nos guiar pelo Espírito de Jesus, pedindo a graça de aumentar em nós a fé e a confiança no Deus da Vida, “que veio para que todos tenham vida, e a tenham em abundância (Jo 10,10)”
Reflexão semanal do dia 15/10/2010 ao dia 21/10/2010: Refletindo o conto Passeio Noturno (parte I) de Rubem Fonseca, à luz da pós-modernidade
PASSEIO NOTURNO — PARTE I
Rubem Fonseca
Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa da cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu filho. Você não vai largar essa mala? Perguntou minha mulher, tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar.
Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde eu gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisa sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. Você não para de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar?
A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e minha mulher estávamos gordos. É aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta.
Vamos dar uma volta de carro? Convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu.
Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu carro. Tirei o carro dos dois, botei na rua, tirei o meu, botei na rua coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Sai, como sempre, sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade que tem mais gente do que moscas. Na avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei, Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em onze segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa do subúrbio.
Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.
A família estava vendo televisão. Deu a sua voltinha, agora está mais calmo? Perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. Vou dormir, boa-noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia.

Fonte: Acesso em 26/10/2009 no site (http://arquivopodoslivros.blogspot.com/2008/03/passeio-noturno-rubem-fonseca.html)



Análise do Conto:

Corre o dito popular: “A primeira impressão é que fica”. Lendo atentamente Passeio Noturno (parte I), de Rubem Fonseca, este belíssimo conto, tanto pela sua mimese interna (construção e estrutura) quanto seu conteúdo (a história como tal), reportou-me à pós-modernidade , ao ser humano pós-moderno, sobretudo às famílias, por vezes desestruturadas, fragmentadas, cansadas e desgastadas pela rotina, pelos trabalhos e estudos, como é o caso deste pai de família, tratado no conto (pelo visto, deve ser um empresário, de classe média alta). Em meu livro Em busca de sentido para a vida, abordo justamente desta questão, explicando justamente que:

“a razão pela qual elaboro este livro deve-se ao fato de constatarmos, na realidade, uma falta de sentido para a vida. Vive-se uma frustração existencial, o vazio, o vácuo interior, o tédio, a própria sensação de perda do sentido para a vida. O ser humano, por vezes, vive na embriaguez do trabalho, dos estudos, vive rotineiramente. Aquela música popular: “deixa a vida me levar” retrata a realidade vivida por muitos. Devemos ter em mente e pensar o que queremos, de fato, da vida e o que a vida exige de nós. Temos que tomar atitude diante da vida. Precisamos dar sentido ao nosso ser (a nossa existência) e àquilo que fazemos (que é o desdobramento do ser), isto é, o nosso agir. Precisamos sempre ter um ideal, uma meta, um objetivo”. (CHINI, 2009, p.8)


Rubem Fonseca, em Passeio Noturno (Parte I) não cita o nome de nenhum dos membros da família evidentemente para retratar e afirmar, desse momento, o comportamento de muitas de nossas famílias. Pelo que se percebe, o egoísmo, também no âmbito familiar está presente:

“Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa da cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu filho.”

Um outro aspecto a ser considerado é a fragmentação do ser humano. Nesta família cada ser humano é uma ilha. A família não é vista como um todo, como uma unidade. Cada filho está no seu quarto; a esposa (que por sinal, tudo aponta ser alcólatra) está na cama deitada, o marido se fecha em sua biblioteca... Onde está o diálogo entre os pais e entre os pais e filhos?
Todas as noites o empresário sai para dar um “passeio” com a finalidade de relaxar as tensões de um dia árduo de trabalho, depois de ter jantado com a esposa e os filhos. O ponto alto desse “passeio“ se dá quando ele atropela vítimas indefesas com seu carro importado, matando-as. E o pior: volta satisfeito e relaxado para casa, como se nada tivesse acontecido. Ou seja, matar pessoas é algo normal, banal. Onde está a consciência deste pai de família?
Esse pai reflete a violência tão fortemente presente em nosso país. Matar pessoas simplesmente por matar revela um pai de família doente, uma família doente, preocupada somente com sua posição social, com os bens matérias e com o consumo demasiado dos mesmos (o que á caracteristicamente próprio da pós-modernidade. Aliás, o que pode ser resumido em três palavrinhas mágicas: ter, prazer e poder.
Quanto a estrutura, o conto é tenso do início ao fim. Rubem Fonseca não mede palavras. Diz o que precisa ser dito. É direto. O tempo físico é curto e seqüencial. Os fatos acontecem em ordem cronológica. O tempo psicológico, as vivências e sentimentos dos personagens são evidenciados. Pelo pouco que se diz de cada membro familiar já se tem uma noção da psique de cada um. O autor prende-nos do início ao fim. Conto altamente literário: provoca surpresas, o inesperado acontece, causando impacto e emoção. Transporta-nos ao texto e, por isso, vivenciamos o que está sendo narrado.
O tema é altamente relevante por tratar-se de algo constatável na realidade. O conto é um espelho da realidade familiar atual. Não somente. Mas da sociedade em que vivemos. Instiga-nos e provoca em nós muitas reflexões, inclusive leva-nos a questionar o que levou as famílias a chegarem a tal ponto. Neste âmbito familiar, fazendo um retrocesso, mudanças negativas e degradantes ocorreram em tempos recentes.
É louvável e bom saber que a literatura exerce um papel importante em nossa vida. Além de nos humanizar, abre nossos olhos e nos faz pensar sobre a realidade tal como ela é, e para realidades, temas e assuntos que muitas vezes desconhecemos e não atentamos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Acesso em 26/10/2009 no site (http://arquivopodoslivros.blogspot.com/2008/03/passeio-noturno-rubem-fonseca.html)

CHINI, Rodrigo Kuhn. Em busca de sentido para a vida. Porto Alegre: Cidadela Editorial, 2009.
Reflexão Semanal do dia 07/10/2010 ao dia 14/10/2010: A viagem no trem da vida!
Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que, acreditamos, farão conosco a viagem até o fim: nossos pais. Não é verdade. Infelizmente, em alguma estação eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinhos, proteção, amor e afeto. Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que virão ser especiais para nós.
Embarcam nossos irmãos, amigos e amores. Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. Outros fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há, também, pessoas que passam de vagão a vagão, prontas para ajudar a quem precisa.
Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros tantos viajam no trem de tal forma que, quando desocupam seus assentos, ninguém sequer percebe.
Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferente do nosso. Isso nos obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas claro que isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chagarmos até eles. O difícil é aceitar que não podemos nos assentar ao seu lado, pois outra pessoa estará ocupando esse lugar.
Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques.
Sabemos que esse trem jamais volta. Façamos, então, essa viagem, da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos os passageiros, procurando em cada um deles o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar, e, provavelmente, precisaremos entender isso.
Nós mesmos fraquejamos algumas vezes. E, certamente, alguém nos entenderá. O grande mistério, afinal, é que não sabemos em qual parada desceremos. E fico pensando: quando eu descer desse trem sentirei saudades? Sim. Deixar meus filhos viajando nele sozinhos será muito mais triste. Separar-me de alguns amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim dolorido. Mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, que não tinham quando embarcaram. E o que me deixará feliz é saber que, de alguma forma, eu colaborei para que ele tenha crescido e se tornado valiosa. Agora, nesse momento, o trem diminuiu sua velocidade para que embarquem e desembarquem as pessoas. Minha expectativa aumenta, à medida que o trem vai diminuindo sua velocidade... Quem entrará? Quem sairá?
Fico feliz em perceber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar. Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver, é tirar o melhor de “todos os passageiros”.
Obrigado por você fazer parte da “Minha Viagem”, e por mais que nossos assentos não estejam lado a lado, com certeza o vagão é o mesmo!