Um coração para amar: Pe. Francisco Hellmann, scj
Prefácio


A memória do justo é eterna



Rodrigo Kuhn Chini teve a feliz e louvável iniciativa de escrever a biografia do RP Francisco Hellmann, scj, recente e improvisamente falecido. Pediu-me o autor que prefaciasse seu escrito. Faço-o com muito prazer e alegria, por dois motivos, principalmente: primeiro, porque sempre tive uma admiração bem grande pelo P. Francisco; segundo, porque a memória do justo deve ser conservada. Louvável é guardar para a posteridade os exemplos brilhantes daqueles que nos precederam.



O autor, depois de percorrer os caminhos da vida de P. Francisco, nos brinda com os pensamentos e pronunciamentos sábios desse religioso que, por diversos anos, foi formador no Convento SCJ, de Brusque, SC, onde Rodrigo viveu por alguns anos também. Na terceira parte, lemos o testemunho de várias pessoas, que conheceram P. Francisco e conviveram com ele. Trata-se de um jardim colorido, onde as cores variadas dos testemunhos apresentados ilustram o brilho dessa vida simples e toda entregue a Deus e ao próximo.



Agradeço, de coração, a iniciativa de Rodrigo de registrar nas páginas desse livro a passagem simples e exemplar da vida de nosso confrade P. Francisco Hellmann, scj. Para os que o conheceram seja um momento de agradável recordação e para os que não o conheceram, seja um estímulo de doação e fidelidade ; e para todos seja verdadeiramente um motivo a mais para louvar a Deus pelas maravilhas que Ele opera em suas frágeis criaturas.



Concluo esse prefácio com as palavras com que terminei meu testemunho sobre esse irmão de vida religiosa e sacerdotal : «Penso que o maior elogio que se possa fazer ao p. Francisco é afirmar, com toda a verdade, que foi um religioso que deu testemunho de obediência, de pobreza e, com coração indiviso, se dedicou zelosamente ao próximo. Deus era seu Absoluto ».



Kisangani, 1° de setembro de 2007

P. Osnildo Carlos Klann,scj





Introdução



Minha intenção, com esta brochura, é apresentar a vida de um homem aberto para Deus e para o próximo, homem que marcou minha vida e a vida de muitos com seu testemunho de fé e de vida. Corre o provérbio: “Toda pessoa que passa na vida da gente não passa tão - somente; deixa um pouco de si e leva um pouco da gente”. É isso que pude experimentar ao longo dos dois anos que convivi com o Pe. Francisco Hellmann, na minha etapa filosófica no Convento Sagrado Coração de Jesus em Brusque, nos anos 2004 e 2005. De fato, sua presença amiga, leal e sincera manifestava a presença e a paz de Deus em nossa vida.

Como cristãos católicos, bem sabemos que, uma vez batizados, somos instrumentos eficazes de Deus, canais de Sua graça. Deus se utiliza de nossa humanidade para ser amado, conhecido e adorado pelos nossos irmãos e irmãs. Nossa vida não aponta para nós, mas para Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador, que marcou a história da humanidade. Veio revelar-nos o rosto do Pai, que nos ama infinitamente e nos acolhe em seu amor misericordioso.

Com todas as palavras, Pe. Francisco Hellmann foi um homem mergulhado no Coração divino. Foi homem de fé, de uma amizade muito íntima e profunda com Nosso Senhor.

O próprio Eclesiastes (44, 1.10-15) afirma que devemos fazer o elogio dos homens ilustres, que foram homens de misericórdia e de uma bondade incomensurável. Homens e mulheres que deixaram marcas bonitas, belas e profundas em nossa vida, e jamais serão esquecidos e apagados da História.

Agradeço a Deus pelo dom da vida do Pe. Francisco Hellmann, pelo seu sacerdócio e por todo o bem que ele fez a todos, especialmente a mim.

Trago vivo na memória e na minha vida suas palavras sábias, seus ensinamentos, suas formações, seu exemplo e testemunho de vida cristã, que revelam uma grande abertura ao Espírito Santo de Deus.

Faço questão de, nesta brochura, reunir algumas de suas frases e formações proferidas em 2004 e 2005, e que ainda hoje trago presentes comigo. São ensinamentos profundos e úteis à nossa vida cristã.

Pe. Francisco Hellmann, que nos precedestes na eternidade, interceda por nós, Igreja Militante, que caminha nas estradas da vida rumo ao Céu, nossa meta e objetivo!







Síntese Biográfica



Filho de Jorge Hellmann, alfaiate, e Adelaide Boeing Hellmann, dona de casa. Francisco nasceu aos 28 de março de 1952, em Vargem do Cedro – SC. Família numerosa, com onze filhos: Nilsa (adotada), Maria Elisa, José João, Bernadete, Francisco, Ana Maria, Luiz Jorge, Fidelis, Gabriel, Anselmo e Sonia.

Família religiosa, sempre cultivou a espiritualidade, em seu dia-a-dia. Como por exemplo, sentar-se à mesa, é um gesto de piedade, como disse o Pe. Hellmann na entrevista: “todos presentes, a mãe iniciava a oração, em alemão, ao que todos prosseguem. Somente em seguida, fazia-se a refeição”. E prosseguiam: “Ao calar da noite, todos os dias num mesmo ritual de fé e demonstração explícita da catolicidade e fervorosa devoção à Maria, reuníamo-nos todos para recitar o terço, no oratório de nossa família. Rezávamos, como sempre, pelas vocações religiosas e sacerdotais”.

Quanto à Igreja, diz ele: “Tinhamos grande respeito pelo padre, como homem de Deus e da Igreja”.



O SACERDOTE



Taciturno, é tido pelos paroquianos como homem de muita fé, exalando espiritualidade, singeleza e recolhimento. Dado à oração, demora-se horas na capela. Fala mansamente e olha com serenidade. Suas pregações, eminentemente voltadas à oração e à intimidade com Deus.

De 1983 a 1988 trabalhou como vigário paroquial na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Méier, na cidade do Rio de Janeiro. Em 1989, no Seminário Menor (São Miguel) de Crissiumal (RS), desenvolveu as funções de formador, professor e auxiliando nas paróquias.

Do Rio Grande do Sul veio para Brusque, onde trabalhou de 1993 a 1995 na Paróquia São Luiz Gonzaga, como vigário paroquial.



FOTO 1 IGREJA SÃO LUIZ GONZAGA

Apossou-se da Paróquia Puríssimo Coração de Maria, em São Bento do Sul – SC, no dia três de fevereiro de 1996, por ocasião da Celebração Eucarística do sábado à noite. Diante de inúmeras autoridades ilustres e, na presença de significativa participação do povo e do representante do bispo - Pe. Helmuth Berkenbrock - foi nomeado pároco.



FOTO 2: PARÓQUIA PURÍSSIMO CORAÇÃO DE MARIA



Além de Pe. Hellmann, mais dois de seus irmãos foram ordenados presbíteros da Igreja, Gabriel e José João, sendo que este último deixou o ministério presbiteral. Duas de suas irmãs seguiram vida religiosa, Nilsa Maria e Bernadete, mas hoje não mais se encontram vinculadas a suas respectivas congregações porque dela se desligaram.



TEMPO DE FORMAÇÃO



Como todas as outras famílias de Vargem do Cedro, a família Hellmann também foi muito católica, fervorosa em suas devoções, família de piedade e singeleza, permitindo desenvolver-se aprofundamente a espiritualidade em seu seio. Relatou Pe. Hellmann: “No oratório de nossa casa, rezávamos ao iniciar da noite a oração do terço, seguido de orações ao Espírito Santo, sempre com dimensão vocacional. Antes das refeições, a mãe, depois de todos presentes à mesa, iniciava uma oração em alemão, pedindo pelas bênçãos de Deus em favor do Santo Padre, dos bispos, padres e toda a Igreja”. E completa: “é preciso criar consciência de oração”.

Em sua paróquia natal, encontrava-se o Pe. José Mülhoff, que desenvolvera um belíssimo trabalho com as crianças. Constituído o coral infantil, treinava-as com freqüência, aguçando e aperfeiçoando a percepção vocal das mesmas. Pe. Mülhoff dava sempre, a esse ofício, forte conotação vocacional, relembrando sempre aos pequeninos suas possibilidades vindouras.

Muito se falava em vocação, pois havia também grupos de incentivo, constituído por pastorais, especialmente por parte das irmãs religiosas que lá se encontravam. Nesse clima, certa vez alguém perguntou: “quem quer ser padre?” Francisco pensou que muitos levantariam a mão e, ao olhar para o lado, percebeu que mais 2 ou 3 levantaram, sem muito hesitar. Rapidamente suas mãos se ergueram.

A partir de então, o jovem menino sempre se sentiu um tanto comprometido com o fato de ter levantado a mão, aliás, um dos outros meninos que outrora havia feito o mesmo, hoje é o conhecido Pe. Osvaldo Rech. Este fato – levantar as mãos – foi-lhe sempre pivô de reflexões, nunca esquecendo o ocorrido, o que mais tarde, levou o jovem Francisco a ingressar no Seminário de Crissiumal.

Além disso, encontrou na mãe Adelaide uma grande incentivadora. Quanto ao pai, ponderava, lembrando do irmão de Francisco, José João, que já havia partido para o seminário: “já que deixei partir um, não posso impedir o outro”.

Aos 12 anos parte para o seminário, para cursar a 5ª série do Ginásio. Sobre o tempo de formação seminarística, o próprio Pe. Hellmann comenta: “Estava no seminário, mas não tinha certeza que queria ser padre, mas fui fazer uma experiência. Todo início de ano era difícil. Só queria ir embora, não queria estudar. Mas, ao final do ano, no período das férias, só pensava em voltar”.

Nesse sentido, entre “acreditar desacreditando”, seguiu o caminho, cumpriu o percurso. Se no início não se animava com os estudos, ao final era um jovem zeloso na busca do saber, embora ainda não tivesse a certeza da vocação.

Com respeito à sua certeza vocacional, se expressa Hellmann nestes termos: “Só tive certeza no último ano de teologia, momento este em que não havia padres, conselheiros, amigos; ninguém poderia influenciar-me ou responder por mim, afinal, a resposta teria que brotar de mim, do meu coração, já que a proposta vem de Deus a mim, de mim a Ele deve se destinar”. E ainda: “Antes disso, no Noviciado, algumas sinalizações já haviam se adiantado, mas de fato a resposta, o meu sim pleno a Deus só ocorreu no 4° ano de teologia”.

Ordenado presbítero da Igreja, em 18 de dezembro de 1982, Pe. Hellmann inicia sua missão e, como primeiro trabalho, é indicado para assumir a Paróquia do Méier, na cidade do Rio de Janeiro, como vigário paroquial. Lá permaneceu por seis anos.

Após esse trabalho, foi transferido para a cidade de Crissiumal (RS), para desempenhar as atividades de professor e formador por 4 anos, quando assume a Paróquia de Brusque, como vigário paroquial.

Em 3 de fevereiro de 1996 é nomeado pároco para a Paróquia Puríssimo Coração de Maria, em São Bento do Sul (SC), sucedendo ao Pe. Nivaldo Oliveira Souza.

Tendo se apresentado ao bispo diocesano, D. Orlando Brandes, logo se inteirou dos assuntos da paróquia a que fora designado.

Pe. Hellmann, ao longo dessa entrevista, falou diversas vezes em oração: “É preciso criar consciência de oração. Quando as pessoas perdem essa dimensão de sua fé, perde-se também o sentido como cristãos”; as pessoas querem Deus, mas, por vezes, esquecem que “não se consegue a Deus sem estar de joelhos no chão”, pois que a oração é uma atitude constitutiva, logo, imprescindível a todo cristão.

Sempre demonstrou grande apreço pelos grupos de oração: Renovação Carismática Católica, Grupos de Reflexão, Cercos de Jericó, Cenáculo com Maria, Adoração na 1ª Sexta-Feira do mês e, especialmente, o Apostolado da Oração: “Faço questão que haja Apostolado da Oração, porque onde existe o Apostolado da Oração, sinto que a paróquia funciona e, se assim não fosse, se o Apostolado tivesse perdido sua finalidade, já teria morrido”. E quanto à Renovação Carismática Católica, diz: “fiz o máximo possível para fazer-me presente”.

Muitos paroquianos, ao serem questionados sobre Pe. Hellmann, corroboraram o que foi dito sobre sua espiritualidade, num sincronismo espontâneo: “Pe. Hellmann é um homem de Deus, um homem de oração”.



PASTORAIS



Proporcionou encorajadores incentivos às pastorais, enfatizando sempre a importância da oração. Observando com olhar atento as diretrizes da diocese, buscou a ela integrar a Igreja de São Bento do Sul (SC).

Nos poucos momentos livres da paróquia em São Bento - que aos olhos de Hellmann tornavam-se muito caros já que “em São Bento o dia é muito corrido” - dedicava-se às plantas de sua horta. É-lhe um hobby a pescaria. Depois de uma semana de muito labor na paróquia, na 2ª feira, dia de descanso no caso dos eclesiásticos, dedicava-se à sua distração predileta, a pesca, sobre a qual comenta: “desde a infância, sempre gostei da pesca”.



FOTO 3: PESCARIA NA FAZENDA BRILHANTE (ITAJAÍ)



CONSIDERAÇÕES DE SEU PAROQUIATO



Após seu virtuoso e estimado trabalho junto à comunidade de São Bento, esse dedicado homem do Coração de Jesus foi chamado a assumir novas frentes de trabalho, deixando assim muita saudade entre seus paroquianos, seguindo então para São Martinho, cidade ao sul do estado, onde foi pároco por três anos.

Trabalhou no Convento Sagrado Coração de Jesus, em Brusque, na formação de seminaristas, cuja fase formativa, é normalmente denominado “período dos estudos de filosofia”, juntamente com grande equipe formadora, sob a direção do competente Pe. Sérgio Luiz da Costa.

FOTO 4: MISSA NO CONVENTO SCJ



Em 2007, o Superior Provincial, Pe. Léo Heck, o transferiu à Paróquia de Rio Negrinho, como vigário paroquial.

Faleceu repentinamente em 26 de janeiro de 2007, com 54 anos, em Brusque, quando retornava da fazenda Brilhante, vítima de infarto fulminante.











ALGUNS PENSAMENTOS E REFLEXÕES



A seguir, apresento alguns pensamentos e reflexões do Pe. Francisco Hellmann, dirigidos aos seminaristas nos encontros formativos semanais, nos anos 2004 e 2005, na etapa filosófica, no Convento Sagrado Coração de Jesus, em Brusque (SC).



1. “Quem reclama do alimento não é digno do que come”.



2.“A Eucaristia é o encontro de duas pessoas que se amam”.



3. “O importante não sou eu, mas sim os outros”.



4. Numa de suas formações, disse que não devemos ser muito sentimentalistas. Para evidenciar o tema, contou-nos uma pequena história: “Certa vez, um homem encontrou uma cobra doente. Tendo pena da cobra, pegou para criá-la. Levou a cobra para a sua cama, para a sua cela. Dava até leite para a cobra. Na manhã seguinte, o homem amanheceu morto”.

Moral: Precisamos agir sempre com muita sabedoria.



5. “O homem se afasta de Deus quando não segue os Seus ensinamentos e a Sua vontade”.



6. “Um bom padre de amanhã se faz na fidelidade das pequenas coisas de hoje”.



7. “Não podemos desprezar ninguém. Temos que aceitar a história de vida de cada um. Sobretudo, é necessário escutar os outros”.



8. “O comportamento do outro não deve mudar o meu modo e o meu comportamento. Muitas vezes somos aquilo que os outros querem que sejamos. Muitas vezes perdemos a nossa identidade, deixando-nos influenciar pelos outros.



9. “Fomos criados para sermos bons”.



10. “Um dia seremos cobrados pelo bem que deixamos de fazer”. E citou a passagem bíblica de Mateus 25: “Tive fome e não me deste de comer, tive sede e não me deste de beber, tive doente e não fostes visitar-me...”



11. “Muitos se auto-afirmam. Fazem as coisas somente para aparecerem. Fazem o bem para serem vistos por todos”.



12. “Temos medo que as pessoas descubram a nossa verdade, o nosso eu, aquilo que verdadeiramente somos”.



13. “O que nos torna tão miseráveis e estúpidos? Quando se fazemos conhecer aquilo que não somos, quando criamos a nossa falsa imagem. Nisto, nós nos empobrecemos”.



14. “Descubra a grandeza do interior do outro”.



15. “Quem serve ao dinheiro não pode servir a Deus”.



16. “Deveríamos ser mestre de corações, dos sentimentos, como seminaristas do Sagrado Coração de Jesus”.



17. “Conhecemos as pessoas por aquilo que elas testemunham e não por aquilo que elas dizem. Palavras são simples palavras”.



18. “Deus é o único juiz. Por isso não julgue ninguém”.



19. “Tudo o que Deus quer de qualquer um de nós é deixar que Ele nos ame”.



20. “Deus não ama mais alguns por causa do que fazem ou vão fazer”.



21. “Quanto mais me deixo amar, mais útil me torno aos outros”.



22. “Deus está interessado em como uso meus talentos”.



23. “É o amor de Deus que me leva a mudar o rumo da minha liberdade, vontade, aceitação...”



24. “O coração da Igreja é a Eucaristia. Nós devemos ter um coração eucarístico”.



25. “Para o Coração de Jesus convergem todos os sentimentos. Quando se fala do Coração de Jesus, fala-se de seu amor, sua benevolência e misericórdia. Portanto, devemos ser “um coração” que falta no mundo: devemos ser bondosos, compreensivos, acolhedores, capazes de amar a todos sem distinção”.



26. “Precisamos de pessoas que saibam ouvir, escutar e corrigir, se for necessário”.



27. “A fé da Igreja é a fé de Cristo”.



28. “Não devemos nos assustar com os nossos limites e imperfeições. Nós precisamos das nossas falhas, dos nossos tropeços e pecados para atingirmos a perfeição, a graça, e levantarmos quando caímos”.



29. “A minha fidelidade a Deus é provada através da fidelidade aos meus irmãos”.



30. “Deus não espera e não vê os nossos resultados, ele vê o nosso esforço, a nossa força de vontade em buscarmos sempre fazer melhor aquilo que nos é proposto”.



31. “Antes de trabalhar para Cristo, é preciso Cristo trabalhar em nós, e nos moldar conforme a sua vontade”.



32. “O pão e o vinho lembra a nossa vida. Deus nos toma pela mão”.



33. “Toda a obra de Deus se resume na Eucaristia”.



34. “O sofrimento nos leva à purificação”.



35. “Um pão, para ser alimento, passa pelo fogo. Se a prata é provada no fogo, assim também acontece com a nossa fé. Temos que passar pela provação, pelos sofrimentos”.



36. “Ser Eucaristia é o propósito de Cristo para cada um de nós”.



37. “Cristo nos quer recriar à imagem e semelhança de Deus”.



38. “A Eucaristia é o começo, o meio, o fim e o ápice de nossa vida”.

39. “A Eucaristia não é somente uma celebração, mas uma vida que se forma em cada discípulo do Mestre. Cada discípulo deve ser Eucaristia. Este é o programa de vida e o caminho pelo qual caminha um discípulo que está se assemelhando ao seu Mestre”.



40. “Não somos donos de nada. Dos bens somos apenas administradores. Tudo o que temos Deus nos emprestou. Assim Deus quer que vivamos para que nós vivamos Nele, a fim de que Ele seja o Senhor e o Rei de nossa vida e de nossa história”.



41. “Não é o que falta, mas o que sobra nos atrapalha”.



42. “Quem ama sofre. Só quem ama é capaz de enfrentar a dor”.



43. “O amor não olha pra si mesmo, esquece que está com fome. Faz de tudo para quem ama”.



44. “O nosso medo é um terrível inimigo ao amor de Deus. Temos que ter confiança no amor de Deus”.



45. “O amor de Deus é mais forte que minhas fraquezas e pecados”.



46. “No Coração de Jesus, o coração do mundo torna-se novo”.



47. “Ninguém chega à fé sem a Igreja. A oração da comunidade aumenta a autenticidade da nossa fé”.



48. “Para comungar devemos estar bem, perdoar sempre o próximo e unirmo-nos a Deus. Perdoar é um ato divino, é agir como Deus faz”.



49. “Peçamos diariamente o Espírito Santo de Deus, que transforme e ilumine o nosso viver. O Espírito Santo realiza a obra de Jesus”.



50. “A Palavra de Deus tem que ser meditada. Não basta ser lida”.



51. “A Bíblia nos comunica a pessoa de Jesus Cristo”.



52. “Em Jesus, encontramos a resposta e o sentido para a nossa vida”.



53. “Três coisas impedem que a Palavra de Deus seja uma bênção para nós: preocupações com as coisas do mundo (com as coisas passageiras e materiais); o desejo desenfreado de riqueza (ter, ter, ter, ter...); e a concupiscência da carne”.



54. “Seguir a nossa vontade é o caminho mais curto e mais próximo para o inferno”.



55. “O trabalho é uma das verdades que mais preenchem o ser humano”.



56. “Como gostamos de elogio! Sempre que fazemos algo perguntamos aos outros: Gostou do que eu fiz? Tava bom, né?”



57. “A Eucaristia é um processo de vida e de formação na escola de Jesus”.



58. “Seminaristas: sejam amigos de Nossa Senhora. Seminaristas e padres que não cultivam uma espiritualidade mariana não vão muito longe”.



59. “Nós, na Eucaristia, nos tornamos um com Cristo”.



60. “Temos que ser um dom eucarístico para podermos servir”.



61. “Negar a Eucaristia é negar os doentes, os pobres, os excluídos...”



62. “Fugimos da Eucaristia porque fugimos de nós mesmos”.



63. “A Igreja vê na Eucaristia a sua razão de ser”.



64. “Aquilo que fazemos para nós mesmos, morre conosco. Aquilo que fazemos para os outros fica marcado para sempre”.



65. “Porque muitas vezes estamos longe de Jesus? É que muitas vezes falta amor.”



66. “A Eucaristia nos compromete com Deus e com os irmãos”.



67. “Como discípulos de Jesus, os frutos que produzirmos darão glórias a Deus”.

68. Oração Introdutória no Início da Formação do dia 25/03/2004, com o Pe. Francisco Hellmann.



“Ensinai-me a vos procurar e mostrai-vos quando vos procuro, pois não posso procurar-vos se não ensinais nem encontrar-vos se não vos mostrais. Que desejando eu vos procure, procurando-vos deseje, amando-vos encontre, e encontrando vos ame”.



69. “O verdadeiro sábio é aquele que se deixa guiar e conduzir pelo Espírito Santo de Deus”.



70. “Nossa Senhora não tinha vontade própria. Era serva. Sua única vontade era cumprir a Palavra de Deus na sua vida”.



Embora as frases seguintes não sejam de sua autoria, faço questão de transcrevê-las nas páginas a seguir. Foram temas de um de nossos encontros formativos. Trata-se de algo fundamental, que devemos observar no trato com as pessoas:



71. “Se quer tirar mel, não espanta a colméia”.



A pessoa é como a abelha, tanto pode nos dar mel como ferroadas. Se quer sentir a doçura de um bom relacionamento interpessoal, troque tudo isso: Julgamento, condenação, ironia, sarcasmo, ridicularização, desprezo, insultos, malícia, censura, ataque, queixa mordaz, fuxivos, mexericos... pela compreensão, tolerância e bondade.



72. E se os erros dos outros o incomodam, procure saber porque agem deste ou daquele modo e chegará à conclusão de que eles são exatamente o que você seria em idênticas condições.



73. Quando a luta do homem começa dentro de si mesmo, ele tem valor. Se ao invés de atacar e gritar contra a maldade dos outros, atacasse e corrigisse a parte da humanidade que depende só dele... Transforme o mundo a começar por você. Transforme-se e transformará o mundo.



74. Não fale mal de ninguém. Fale tudo de bom que souber de cada pessoa.



75. A grandeza de uma pessoa se revela no modo com que trata os pequenos, os ignorantes, os estúpidos, todos os que se julgam ou ele julga inferiores a ele.



76. O grande segredo no trato com as pessoas é também saber que o desejo de ser importante é uma das mais profundas solicitações (aspirações, desejos...) na natureza humana, junto com a saúde e a preservação da vida, alimento, repouso, dinheiro e as coisas que o dinheiro pode proporcionar: vida futura, satisfação sexual, bem - estar dos filhos.



77. A sensação de importância, a ânsia de ser apreciado está no âmago de cada pessoa. A apreciação, o encorajamento e o elogio que manifestam o valor do outro são importantes. Por isso dizia um chefe ansioso por elogios: repugna-me descobrir faltas. Seja sincero na apreciação e pródigo no elogio.



78. Não tenha medo dos inimigos que o atacam, tenha medo dos “amigos” que o bajulam (elogio barato). A bajulação consiste em dizer ao outro justamente o que se julga que ele pensa acerca de si mesmo.



79. Todo homem é superior a mim em alguma coisa e, neste particular, eu aprendo dele.



80. Faça o outro sentir-se importante. Dê importância ao outro.



81. Para influenciar outra pessoa, fale sobre o que ela quer ou gosta, mostre-lhe como realizar o seu intento e como resolver os seus problemas. Pessoalmente gosto de morango com creme, mas os peixes preferem minhoca e só consigo pescar com minhoca, nunca com morangos.



82. A ação emana daquilo que fundamentalmente desejamos; convencer alguém é despertar nele um desejo ardente. É motivá-lo.



83. O segredo do sucesso nas relações humanas consiste na habilidade em apreender o ponto de vista da outra pessoa e ver as coisas tão bem pelo ângulo dele como pelo meu. Ver como ele vê e sentir como ele sente.



84. A auto-expressão é uma necessidade dominante da natureza humana. Compreender o outro é ajudá-lo a se expressar, é ajudá-lo a nos compreender.



85. Só conseguimos nos revelar e comunicar com aqueles que nos entendem e nos compreendem. Só conseguem se comunicar bem conosco aqueles que nos compreendem bem.





HOMENAGENS E TESTEMUNHOS



Santo Antônio de Pádua (“de Lisboa”, dizem os portugueses), doutor da Igreja – título que só outros 32 santos receberam ao longo dos vinte séculos de história da Igreja -, definiu com propriedade e sabedoria o valor dos bens em nossa vida: “Só te pertence o que podes levar contigo na morte”. Por ocasião do inesperado falecimento do Pe. Francisco Hellmann, SCJ, dia 26 de janeiro de 2007, lembrei-me dessa frase.

O que Pe. Francisco levou para a eternidade, fruto de seus quase 55 anos de vida? Não levou bens materiais - primeiro, porque não os tinha; depois, porque se os tivesse, não lhe pertenciam, já que não poderiam acompanhá-lo na morte. Também não levou títulos, já que não se importava com eles e, se os tivesse, não levaria consigo para a eternidade. Pe. Francisco levou, sim, seu jeito simples de seguir a Jesus Cristo. Discreto, conquistava aqueles que dele se aproximavam; mas não os conquistava para si e, sim, para seu Mestre. Era um discípulo eficaz de seu Senhor, já que bebia de seus ensinamentos e introduzia outros no conhecimento de Suas verdades.

Não convivi muito com Pe. Francisco Hellmann. Em meu último ano como Reitor do Instituto Teológico de Taubaté, ele chegou para estudar Teologia. Quando foi ordenado sacerdote, era seu Superior Provincial. Ao falecer, era seu bispo diocesano. Todas as lembranças que guardo desse confrade têm a marca daquele seu jeito de ser inconfundível: parecia estar sempre pedindo desculpas por estar onde estava.

Na Igreja, os carismas são diferentes e se completam: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo... A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos” (1Cor 12,4.7). Pe. Francisco, segundo creio, recebeu os dons de escutar e orientar, de acalmar e sugerir. Num mundo em que se fala muito e se escuta pouco, como são necessárias pessoas que, como ele fazia, se dispõem a escutar com paciência e amor.

“Só te pertence o que podes levar contigo na morte”. Santo Antônio poderia ter dito isso de outra maneira: só levaremos para a eternidade o amor que tivermos semeado ao longo de nossos passos. O patrimônio que Pe. Francisco Hellmann levou consigo é feito de silêncio e de escuta, de paciência e amor – é, pois, um patrimônio que “a traça e a ferrugem não destroem, nem os ladrões assaltam e roubam” (Jesus Cristo – Mt 6,20).



Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de Florianópolis









Conhecia o P. Francisco desde o tempo em que ele era estudante de filosofia e teologia. Como, na epóca não trabalhava na formação, conhecia-o apenas superficialmente, pelos relatórios que recebia e ouvia, como secretário provincial de então. Depois de sua ordenação, jamais trabalhei com ele, numa comunidade. Meu conhecimento mais profundo desse religioso, aconteceu no período em que fui provincial na antiga Província Brasileira Meridional (BM), e depois, na nova BM, a partir de 2003 até 2006.



P. Francisco era um religioso bastante retraído . Gostava de fazer as coisas de modo escondido e simples. Não gostava de aparecer. Mas alimentava profundo espírito religioso. Nas transferências, nunca tive dificuldade com ele. Mostrava-se sempre muito obediente, com responsabilidade. Estava sempre disposto a aceitar novas missões e encargos, quer nas paróquias quer na formação. Era um padre que estava sempre atualizado, pois lia bastante e possuia um espírito de oração muito acentuado. Nas paróquias, onde trabalhou, distinguia-se pelo zelo apostólico e por sua disponibilidade em servir. Tanto nas paróquias quanto nas casas de formação, era um ótimo conselheiro espiritual. O povo gostava dele, pela sua simplicidade e doação. Outra característica sua : a pobreza. Não só fez o voto de pobreza, mas viveu a pobreza, na simplicidade e austeridade de vida e no exemplo bonito de seu trabalho manual. Onde quer que trabalhou deixou um rastro luminoso de vida religiosa. Penso que o maior elogio que se possa fazer ao p. Francisco é afirmar, com toda a verdade, que foi um religioso que deu testemunho de obediência, de pobreza e, com coração indiviso, se dedicou zelosamente ao próximo. Deus era seu Absoluto. Que descanse em paz, no Coração misericordioso de nosso Deus !



Pe. Osnildo Carlos Klann, scj

Missionário no Congo (Kisangani)











No dia 27 de janeiro, pela manhã, após a exposição do Santíssimo Sacramento, recebi do mestre de noviços a notícia de falecimento do Pe. Francisco Hellmann, scj. Senti muito a sua morte pelo fato de ele, com seu belo testemunho de fé e de vida, ter - me marcado muito. Senti uma dor muito forte no coração. Foi um pedaço de mim junto. Sempre tive um grande carinho e estima por ele. Quantas e quantas vezes passávamos horas e horas conversando. Não sentia o tempo passar. Era bom conversar com ele, era bom estar com ele.

Amada Mãe Maria Santíssima. Acolhei, por sua intercessão, no Reino de seu Filho o vosso servo Pe. Chico Hellmann, scj, que ao longo de sua vida e de seu ministério sacerdotal procurou fazer o bem a todas pessoas, sendo sempre humilde e um homem orante, adorador, muito amigo de Seu Filho. Cumpriu sua missão com zelo, amor, dedicação, tendo como centro de sua vida o Sagrado Coração de Jesus e por intercessora Maria Santíssima. Louvamos a Deus pelo dom de sua vida e pela sua presença em nossas vidas. Com certeza ele nos aproximou de Jesus pelo seu exemplo e testemunho. Foi servo fiel, humilde servidor dos homens.





”In te Cor Iesu, Cor Iesu Speravi, non confundar, non confundar, in aeternum".



Rodrigo Kuhn Chini

Filósofo e Acadêmico de Letras da PUCRS



















Para mim, Padre Francisco foi um sacerdote fiel ao Senhor. Um ser humano com muita capacidade e tranqüilidade em atender confissões, com seu jeito tímido, mas com a escuta da Palavra de Deus, nos absolvia do pecado. Nós o amávamos muito como sacerdote e homem de Deus. Sempre fiel, paciente em atender as pessoas. Obrigado, Pe. Francisco.



Irma Facchini

Aposentada









CONSIDERAÇÕES FINAIS



Espero ter realizado meu objetivo com a publicação deste pequeno livro, que é uma homenagem nossa a Pe. Hellmann, apresentando alguns fatos de sua vida, testemunhos, pensamentos e reflexões de um homem que fez de sua vida verdadeira doação e entrega a Deus e ao próximo, traduzidos em gestos de amor e de bem querer. Foi um homem profundamente humano, sensível, sereno, pacífico, de fé vibrante, com vocação acertada. Tinha consciência de sua missão neste mundo. Levou inúmeras pessoas a Jesus, à salvação. Deixou rastros de eternidade pelo bem que praticou, por palavras e testemunho. Tornou Jesus Cristo Nosso Senhor mais amado, conhecido e adorado! Foi “profeta do amor e ministro da reconciliação”, como religioso e padre da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos).

Numa só palavra: Obrigado, Pe. Hellmann.
Marcadores: | edit post
0 Responses

Postar um comentário