Pensamentos e reflexões
Prefácio




“Os que nunca vivem o momento presente são os que não vivem nunca”, escreve o poeta dinamarquês Piet Hein, num de seus poemas. O pintor e escritor finlandês Henrik Tikkanen expressa uma idéia semelhante na seguinte máxima, ou aforismo, que nos dá o que pensar: “A vida começa quando descobrimos que estamos vivos”. Se esses dois defensores da alegria de viver tem alguma coisa em comum é a experiência de que a vida é algo infinitamente precioso.

É o que encontramos nessas páginas do jovem Rodrigo, carregadas de um sentimento maior, de um sentimento de que uma vida, dada e doada por amor e para o amor é muito pouco: deveríamos viver mais tempo, também cronologicamente falando, quando não intensamente. Que o amor ao Coração divino, que nos abraça com ternura e compaixão, motive a leitura e meditação do que segue e nos impulsione mais e melhor para a missão de tornar o nome e o Evangelho do Senhor conhecido e amado, sobretudo pelas novas gerações, e aquelas gerações de uma juventude já acumulada. Boa leitura e satisfação nas palavras e mensagens que elas contém.



Pe. Pedro Alberto Kunrath

Pároco Universitário de Porto Alegre.



APRESENTAÇÃO



Rodrigo Kuhn Chini, autor do livro “Fé e Razão”, traz à tona uma coleção de artigos já publicados, cá e lá, em anos passados. Estamos diante de “Pensamentos e Reflexões”, obra onde apresenta desde temas da vida prática até temas filosófico-teológicos.

Inicialmente, vemos a sensibilidade do autor na gratidão que mostra e reconhece o quanto, até hoje, recebeu de formadores, professores, colegas e pessoas amigas. E isso é conseqüência da consciência que tem de que, na vida, o mais importante não é o que temos ou somos, mas sim o fazer Cristo ser conhecido. Eis a razão do viver humano. “De uma ou de outra maneira Cristo é anunciado, e com isso eu me alegro” (Fl 1, 18). Essa é a mensagem cristã que muitos homens e mulheres, ao longo da história, nos ensinaram. Marcadamente, o autor salienta a figura de Mahatma Gandhi que lamenta não ter visto “maior testemunho dos cristãos”.

Na seqüência, o autor apresenta três pontos que merecem ser lembrados: A Bíblia como a carta de um pai que sempre fala aos filhos e esse falar e ouvir desperta amizade e reacende o amor; Jesus, o Deus da vida, vivo e presente na comunidade que é a Igreja, é aquele que consola e dá esperança aos limites do homem, sobretudo à morte, pois Ele é Aquele “que veio para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo. 10,10); e a Igreja que, mãe sábia, relembra que o cristão, naturalmente missionário, deve sempre “avançar para as águas mais profundas” (Lc. 5,4).

“Ser sal da terra e luz do mundo” é o que nos lembram duas figuras extraordinárias: Pe. Dehon e Santa Teresinha do Menino Jesus. Ambos missionários: um, tendo sua família religiosa presente em 40 países; outra, mesmo não tendo saído de seu Carmelo, é a padroeira da Missões.

O autor, tendo participado do XV Congresso Eucarístico Nacional, de 17 a 21 de maio de 2006, Florianópolis (SC), diz que a Eucaristia é a razão do nosso viver, pois “Ele está no meio de nós”. Partindo daí, lembra alguns pontos importantes, como: o rosário, oração bíblica, que nos faz viver os mesmos sentimentos de Jesus e de sua Mãe; a filosofia como importante na formação das crianças, jovens e adultos dando-lhes condições de serem cidadãos livres, reflexivos, esclarecidos e responsáveis; o “ecce venio” de Jesus e o “ecce ancilla” de Maria como alertas para, também nós, a exemplo deles, fazermos sempre a vontade de Deus indo ao encontro do povo conhecendo suas necessidades e dores. Fazer isto é a resposta que damos a Deus, e que aprendemos a dá-la a partir da Eucaristia.

A filosofia e a teologia, importantes, para o homem, na busca da verdade, são como que as duas asas de uma ave para voar. A miséria tem suas causas, mas a principal delas é a ganância do possuir desenfreado. Ganância que gera injustiças. Dizer isso seria fantasia?

E conclui o autor: diante de Deus, seremos sempre humanos, isto é, a dimensão material e espiritual formam um todo no homem. Por isso é importante rezar a vida!

Se “Pensamentos e Reflexões” não segue rigorosamente uma lógica de conteúdo, coloca-nos diante dos pensamentos e reflexões de Rodrigo Kuhn Chini.



Prof. Dr. Nivaldo Alves de Souza

Roma, abril, 2007







Introdução



Inspirado no provérbio cujo autor desconheço: “Ninguém é tão pobre que não tem nada para dar e ninguém é tão rico que não tem nada a receber”, tenho a alegria de trazer à lume e de partilhar com vocês, amados leitores, alguns artigos que escrevi ao longo da minha etapa seminarística dentro da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), a saber: Propedêutico (2003), Filosofia (2004 e 2005), Postulantado (2006) e Noviciado (janeiro à março de 2007). Os artigos contidos neste livro apresentam reflexões sobre Pe. João Leão Dehon e sua Congregação, mas sobretudo algumas reflexões pessoais, filosóficas, religiosas e espirituais que poderão ser úteis a nossa vivência cristã. Desejoso de ajudá-lo, lanço essas idéias no papel. Meus votos de que a partir desta leitura possam tirar bom proveito para suas vidas.



Meu agradecimento e minha prece



A Deus Pai, por Cristo, na força do Espírito Santo, por tantas bênçãos e graças recebidas.

À Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, meus formadores, colegas seminaristas, familiares, amigos e benfeitores que muito me ensinaram e marcaram minha vida.

Afirmo com todas as letras: vocês me conduziram para mais perto de Jesus.

Deixo de ser noviço, mas continuo sendo do Sagrado Coração de Jesus. Ele continuará sendo o meu ideal, a razão do meu cantar e o motivo maior da minha vida. Tenho, como batizado e cristão que sou, a missão de ser no mundo sinal do amor misericordioso de Deus. No dizer do Papa Bento XVI “não somos cristãos somente para sermos salvos, mas para exercermos a diaconia, o serviço aos nossos irmãos e irmãs”. Isso fez Jesus. Isso ele pede de nós. “Estive com fome e me deste de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolheste; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim” (Mt 25, 35-36) E acrescenta: “Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40). E é isso que procurarei fazer como seu filho amado. Internalizei e assimilei em mim que a essência da vida cristã está na intensidade do amor que colocamos naquilo que fazemos. Isso basta! Uma só coisa vos peço: rezemos um pelo outro. Continuamos mantendo a nossa comunhão espiritual, através de súplicas e incessantes orações. Que a graça de Deus e a força de seu Espírito nos encoraje a respondermos positivamente a chamada de Deus, nos ensine a doar a nossa vida e a pôr em prática os nossos dons e talentos a serviço de nossos irmãos e irmãs.. Não importa a vocação que se vive e se abraça. Para Jesus, quando morrermos, não importa se fomos bispos, padres, diáconos, religiosos, leigos, missionários... Ensina-nos São Paulo aos Filipenses e a cada um de nós: “De uma ou de outra maneira Cristo é anunciado, e com isso eu me alegro” (Fl 1, 18). Abençoa-nos Senhor para tanto. Amém.











Dedicatória



Ao Pe. Francisco Hellmann, scj, de saudosa memória, que ao longo de sua vida buscou as coisas do Alto, testemunhando coerentemente o amor misericordioso do Coração de Jesus, o qual amou intensamente enquanto viveu. Foi um homem de oração, muito amigo de Nosso Senhor. Tive a graça de tê-lo como orientador espiritual na minha etapa filosófica, em Brusque-SC. De fato, ele me aproximou de Jesus. Gostava de estar sempre em sua companhia. Sua presença era agradável porque transmitia Jesus, tanto no seu falar, como no seu agir.



Índice (por ordem alfabética – obs: paginar o índice)





Amar: eis nossa vocação cristã



A grande certeza que devemos ter em nosso coração é esta: “Deus é amor (cf. 1 Jo 4, 16)”, e como Filhos do Autor da Vida que somos através do nosso Batismo, somos vocacionados ao amor, à felicidade e à santidade.

“Ouvindo a voz do senhor Nosso Deus (cf. Dt 6, 4)”, e impulsionados pelo Seu Espírito Santo (pois sem Ele nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5), somos capazes de amar a Deus e ao próximo. São João (1 Jo 4, 20) afirma “que se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia o seu irmão, é mentiroso, porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus a quem não vê”.

O hinduísta Mahatma Gandhi não se converteu ao cristianismo porque entre os cristãos não havia sinais e manifestações do amor que Cristo tanto pregara e vivera. Faltava testemunho e vivência do amor, da parte dos cristãos.

João, discípulo amado de Jesus, afirma que “reconhecerão que somos discípulos do Mestre se tivermos amor uns pelos outros (cf. Jo, 13, 35)”. O Mestre Jesus convida-nos à intensa vivência do Amor, pois o amor, se ainda não é, deverá ser a marca característica da Comunidade Cristã.

Como família cristã que somos, sabemos que o Coração de Jesus é a expressão máxima do inesgotável amor de Deus por nós. Padre Dehon, fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), sabia muito bem disso, e por isso viveu, alegrou-se, sofreu e morreu para legar à Igreja uma nova Congregação, inflamada do Amor que brota do Sagrado Coração de Jesus.

Com os olhos voltados e com os ouvidos atentos a Sua voz, busquemos dia a dia viver o Amor de Jesus entre nós, para que os outros possam ver o quanto nos amamos e o quanto somos felizes por sermos filhos amados de Deus, discípulos do Seu amor.



(Artigo publicado no Jornal “A Palavra da Paróquia São Luiz Gonzaga” no mês de março de 2004 (Brusque-SC) e publicado também no Jornal AN Jaraguá, página 2, no dia 07/04/2007)









Bíblia: carta do pai aos seus filhos



Um menino de 11 anos foi ao seminário, distante e em outro estado, para se tornar padre. Longe de casa sentia profundas saudades de seus pais. Passado um mês, recebeu uma carta de seu pai. Com muita emoção leu a carta do pai. E, lendo aquelas palavras, parecia-lhe ouvir a voz do pai. Era como se estivesse ali presente lhe falando. Depois guardou a carta com carinho no meio dos cadernos. De vez em quando pegava a carta e a lia novamente. Parecia, que através da carta, ele conversava com seu pai. O menino sabia que seu pai não estava na carta. Mas ela manifestava a presença de seu pai. Era um contato vivo que mantinha com seu pai distante. Uma comunicação real do pai para com o filho. E cada dia, quando a saudade batia, o menino tornava a ler a carta do pai.



• DEUS, o mais maravilhoso e querido de todos os pais, legou também a nós, seus filhos amados, uma carta.

• Toda vez que eu quiser entrar em contato com Deus, é só ler a BÍBLIA, a bela carta de Deus.



Assim como uma carta desperta a amizade e reacende o amor, assim a BÍBLIA reaviva em nós a amizade para com Deus e reativa nosso amor para com o mais amoroso dos pais.



• Por nos amar, Deus nos deu a Bíblia.

• Por amarmos a Deus, nós lemos a Bíblia?



Que neste mês de setembro, dedicado à Palavra de Deus, possamos lê-la, meditá-la e vivê-la em nossa vida, sendo um testemunho vivo de tudo aquilo que Jesus fez e nos ensinou.



(Artigo publicado no Jornal “A Palavra da Paróquia São Luiz Gonzaga, no mês de setembro de 2005)





Jesus: certeza da ressurreição!



A comemoração de todos os fiéis falecidos remonta-nos ao ano 998. A divulgação desta comemoração se deve a Santo Odilon, que introduziu esta prática em todos os mosteiros beneditinos ligados ao de Cluny, na França.

Em 1311, a Santa Sé oficializou a memória dos falecidos, estendendo-a a toda Igreja Universal, que no dia 2 de novembro, oferece uma celebração anual a todos seus filhos que adormeceram em Cristo, aos quais procura ajudar diante de Deus com poderosos sufrágios, para que sejam associados aos cidadãos do céu.

Deste modo, pela comunhão de todos os membros de Cristo, ao mesmo tempo que implora auxílio espiritual para os defuntos, inspira aos vivos consolação e esperança, bem como a intercessão dos fiéis falecidos em nosso favor, a fim de bem vivermos a nossa vocação e missão terrenas, rumo à eternidade.

Para muitos, a morte é uma incógnita! Quando sobrevem a dor pela perda de um ente querido, surgem várias perguntas. Torna-se extremamente difícil e penoso entender a morte, ainda mais de alguém próximo. É comum nesse momento incriminar Deus, que parece surdo. Então, o desabafo explode: Ele se torna o culpado, o responsável!

A fé cristã revela-nos, que na ressurreição de Jesus Cristo, encontra-se a resposta à morte e a todo processo de dor e limitação pelo qual passa o ser humano. Aí se dá a demonstração concreta do amor salvador de Deus. Se Cristo ressuscitou, também ressuscitaremos.

Portanto, para estarmos de bem com a vida e a morte, para viver serenamente, nada mais ensinador do que o aviso de Cristo: estejam sempre bem preparados porque não sabem nem o dia nem a hora”.

Quem em regime de fé aceita que a Ressurreição de Cristo é garantia de vitória da vida sobre a morte e da Ressurreição futura de cada um, tem a justa compreensão do verdadeiro culto aos mortos.

Deixemo-nos guiar pelo Espírito de Jesus, pedindo a graça de aumentar em nós a fé e a confiança no Deus da Vida, “que veio para que todos tenham vida, e a tenham em abundância (Jo 10,10)”









Batismo e Missão



O mês de outubro, dedicado às missões, reveste-se de um sentido todo especial. Jesus, que desafiou os seus discípulos, continua nos desafiando a “avançarmos para águas mais profundas”(Lc 5, 4). O dizer do Papa João Paulo II, “na Igreja de Cristo, todo o batizado é missionário”, desperta em nós a consciência de que a nossa missão é tornar Cristo presente em todo o mundo. Temos um caráter fortemente missionário: ser sal e luz para o mundo, tornando manifesta e concreta a salvação de Deus.

Pe. João Leão Dehon, ao fundar a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), em 28 de junho de 1878, tinha o desejo de fundá-la para uma finalidade especificamente missionária. Ao recordar sua infância, escreve: “Desde menino... queria ser religioso e missionário. Lia com avidez as revistas que falavam dos missionários e da conversão à fé nas terras de missão.” Atualmente, a Congregação está presente em todos os continentes, atuando em 40 países, promovendo um belíssimo trabalho missionário.

É importante salientar que há duas maneiras de anunciar Cristo:

A primeira é indo, correndo o mundo: Jesus disse aos seus discípulos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 19-20).

A segunda é permanecendo no Templo, louvando a Deus: “Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus” (Lc 24, 52-53). Nesta, encaixa-se a vida monástica: enquanto os pés-ligeiros dos missionários percorrem o mundo inteiro anunciando Jesus, os missionários contemplativos dobram os joelhos em oração e falam com Deus. Não é sem razão que Santa Terezinha, sem nunca ter saído de seu Carmelo, foi proclamada padroeira das missões. Como diz São Paulo aos Filipenses: “De uma ou de outra maneira Cristo é anunciado, e com isso eu me alegro” (Fl 1, 18).

Que Santa Terezinha interceda por nós, a fim de que possamos redescobrir e bem viver a dimensão missionária do nosso batismo.



(Artigo disponível no endereço eletrônico: http://www.casadehon.org/mdj/cronicas.htm)



Minha vivência no XV Congresso Eucarístico Nacional



“Rodrigo, você gostaria de participar do XV Congresso Eucarístico Nacional?”, interrogou meu formador do postulantado. Não pensei muito para responder. No mesmo instante respondi a ele positivamente, dizendo ser um presente, uma graça divina minha participação no mesmo. Seguidamente pensei: Deus poderia ter escolhido um dos meus sete colegas postulantes, mas o Senhor escolheu a mim. Isto não é mérito meu e motivo de glória para mim. Senti-me até indigno de participar do mesmo, sabendo que muitos deles também queriam participar.

Além de participar do Congresso, trabalhei na divulgação de uma das revistas de nossa Congregação, que tem como objetivo único evangelizar.

Participei com intensidade das celebrações eucarísticas, tendo a certeza no coração que Jesus se dá a nós em alimento nas espécies de pão e vinho para nos alimentar e nos fortalecer na fé, na caminhada cristã e na vivência do mandamento do amor.

De fato, Jesus é sacramento de amor, de total doação. Tudo o que Jesus poderia ter feito por nós Ele fez. Cumpriu sua missão de Filho de Deus “revelando tudo o que o Pai mandou dizer, e que enviaria também o Paráclito, o Consolador, que nos revelará e esclarecerá todas as coisas”.

Nosso saudoso e querido João Paulo II, na sua Carta Encíclica sobre a Eucaristia, diz-nos que “a Igreja vive da Eucaristia”. Adorando Jesus Sacramentado, “gastando o meu tempo com Ele”, senti sua presença constante e sua voz no silêncio do meu coração. Eu olhava para Ele, e olhava para mim... Foi um momento marcante, entre tantos outros que tive na presença de Jesus Sacramentado.

A Eucaristia traz também em si a marca do encontro. Eucaristia é encontro, é comunhão com Jesus, com os santos e com os irmãos e irmãs. Em cada celebração eucarística temos um encontro pessoal com Jesus Eucarístico. Sem dúvida, a razão de tantos católicos brasileiros, de diversos estados e cidades se encontrarem em Florianópolis, de 17 a 21 de maio, é Jesus Eucarístico. Encontrei dezenas de amigos e de irmãos e irmãs na fé, de diversos lugares. Encontrei pessoas que há tempo não via. Isso evidencia o quanto Jesus nos congrega, nos une, nos torna irmãos, membros de uma mesma família.

Tenho a certeza de que Jesus derramou incontáveis bênçãos e graças em nossas vidas, em nossas famílias, nos congressistas, nas nossas comunidades e em todo o povo brasileiro. Desse congresso surgiram e surgirão muitos frutos. Tenho certeza disso.

Retornando para minha comunidade, percebi em mim uma sede, um desejo forte de Deus. Por isso tenho buscado Jesus com freqüência: nas celebrações eucarísticas, nas adorações, nas orações comunitárias e pessoais, nos nossos irmãos e irmãs.

Que Jesus Eucarístico, nosso maior tesouro, “centro e ápice de nossa vida”, como diz-nos Pe. Dehon, fundador da Congregação dos Padres Dehonianos, nos dê a graça de buscá-lo sempre mais, criando assim laços de amizade e profunda intimidade e sintonia com Aquele que, se ainda não é, deverá ser a razão do nosso amar, sonhar, pensar, sentir, sorrir... enfim, do nosso viver e peregrinar neste planeta.

“Alegremo-nos e Nele exultemos. O Senhor está no meio de nós”.



(Artigo disponível no endereço eletrônico: http://www.casadehon.org/mdj/cronicas.htm e publicado no Jornal “A Palavra da Paróquia São Luiz Gonzaga” no mês de junho de 2006)





O rosário: sua origem e sua importância





Intenta-se, neste artigo, mostrar ao leitor a origem, as razões e importância da Oração do Rosário na vida da humanidade. Introduzimos o mesmo servindo das preciosíssimas palavras do nosso saudoso e querido João Paulo II sobre esta devoção: “O Rosário lentamente recitado e meditado em família, em comunidade, pessoalmente, vos fará penetrar pouco a pouco nos sentimentos de Jesus Cristo e de sua mãe, evocando todos os acontecimentos que são chave de nossa salvação”.

A devoção do Rosário teve início no século XIII. O Concílio de Paris, em 1195, aconselha esta devoção Mariana. Os religiosos dominicanos começaram a rezar diariamente o Ofício de Nossa Senhora, que os frades que não sabiam ler, supriam por Cento e Cinqüenta (150) Ave-Marias ou Terço, cinqüenta (50) Ave-Marias. São Domingos e os seus companheiros dividiram as cento e cinqüenta (150) Ave-Marias em 15 dezenas, propondo para cada série cinco mistérios da vida de Cristo ou de Nossa Senhora. Temos assim os cinco mistérios gozosos, nos quais se medita a infância de Jesus; cinco dolorosos, referentes à Paixão; cinco gloriosos, comemorando a vida de Cristo ressuscitado e a glória de Maria. E no ano do Rosário (outubro de 2002 a outubro de 2003), o Papa introduziu no Rosário cinco mistérios luminosos, referentes à vida pública de Jesus. A palavra “Rosário” significa roseiral ou jardim de rosas. Prevaleceu esta designação por tal devoção ser em honra de Maria, “Rosa Mística”. Para contabilizar as orações usavam-se inicialmente cadeados feitos de pedrinhas. Hoje em dia há diversos materiais, desde modestos até riquíssimos.

Dentre a importância e as razões para a recitação do Rosário, dissertaremos três delas:

1. É uma oração bíblica: O pai-nosso é a oração que Jesus nos ensinou (cf. Mt 6, 9-15). A ave-maria foi ensinada por Deus Pai através do anjo Gabriel (cf. Lc 1, 28) e pelo Espírito Santo através da boca de Isabel (cf. Lc 1, 42). Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito Santo estão na origem das principais orações do Terço. A Santíssima Trindade é o princípio de tudo. Quando rezamos a ave-maria, realizamos hoje a antiga profecia do Magnificat: “todas as gerações me chamarão de bendita” (Lc 1, 48): bendita sois vós entre as mulheres...

2. Cristo está no centro do Terço: O mais importante não é prestar atenção na repetição das palavras. Na verdade, elas são apenas uma cantilena suave a nos embalar no que realmente importa: contemplar e meditar os momentos mais importantes da vida de Jesus Cristo. Não rezamos “para” Maria... rezamos “com” Maria. Quando rezamos, na verdade somos parte do Corpo de Cristo que reza ao Pai animado pelo Espírito Santo. Portanto estamos totalmente mergulhados no mistério da Santíssima Trindade. Não sou eu que rezo... é Cristo que reza em mim!

3. Rezar com a Igreja: O Terço nos coloca em comunhão com a Igreja em oração. Se rezarmos o terço, estaremos mais intimamente unidos a todos nossos irmãos e irmãs no mistério do Corpo Místico de Cristo. Se algum membro do corpo sofre, é o corpo inteiro que está sofrendo. Quando rezamos o Terço somos este Corpo que sente a dor dos pobres, doentes e sofredores. Portanto rezar o Terço é fazer um exercício de solidariedade espiritual.

Tendo em vista o que foi dito, não podemos esquecer que no alto da cruz, Jesus quis nos entregar sua mãe na pessoa do apóstolo João. Isto porque a Virgem Maria pode nos ajudar muito em nosso caminho de fé. De fato, são muitos os sinais que demonstram que nossa Mãe também hoje quer ajudar, exercendo seu cuidado materno especialmente quando invocada através da oração do Rosário. “Se queres ter paz, reza o rosário”, afirma o Papa João Paulo II.



Pergunta para reflexão:

Qual a importância e os benefícios que a Oração do Rosário nos traz?







O valor da filosofia

numa sociedade tecnicista.





O grande filósofo grego, Aristóteles, começa a sua Metafísica com a afirmação: “Todos os homens, por natureza, desejam saber”. Saber é um dado elementar de nossa natureza humana. É o mais sublime impulso que possuímos. Com ele nós nascemos. Graças a ele os filósofos puderam dizer que somos naturalmente filósofos. Manifesta-se nas crianças pelas perguntas que fazem. O que é isto? Para que? Por que? Donde vem isso? São as primeiras perguntas que uma criança costuma fazer.

Em nosso Brasil, como percebemos, a educação e o ensino não tem provocado e desafiado o ser humano a pensar, a refletir e a buscar conhecimento da realidade que o cerca. Muito pelo contrário, há uma demasiada preocupação em educar e formar técnicos. Desapareceu o interesse pela formação humana do profissional. A prova disso é a ausência da filosofia nas escolas, que, por sua vez, tem a missão de preparar os seres humanos para a vida, formando homens livres, críticos e reflexivos, cidadãos responsáveis e esclarecidos.

Além da formação técnica, que também merece importância, é necessário desafiar e recuperar nos seres humanos o desejo e o gosto pelo saber. A escola deveria, pois, caracterizar-se por ser a instituição que se ocupa do exercício da mente dos educandos. Segundo as estatísticas mundiais, os neurologistas afirmam que o ser humano não utiliza mais que 2% ou 3% de sua capacidade cerebral.

Mais do que nunca, numa sociedade tecnocrática que teme a crítica e a reflexão pessoal, é necessário resgatar o espírito filosófico e socrático, convidando os seres humanos a trilharem o mesmo caminho que Sócrates conduziu os seus discípulos: através da maiêutica, estaremos proporcionando uma excelente formação humana e integral do ser humano, resgatando o que ele tem de mais nobre e elevado: o saber.



(Artigo publicado no Jornal AN Jaraguá, página 2, no dia 27/03/2007)









Testemunho de santidade e vida social de Pe. Dehon



Pe. João Leão Dehon, apóstolo incansável do Sagrado Coração de Jesus, inspirado pela graça de Deus e enriquecido com seus dons e carismas, por sua vez, acolheu, compreendeu, compreendeu e testemunhou, com sua própria vida, a palavra do Senhor, que hoje nos interpela e nos convida à conversão e à santidade: “Sede santos, porque Javé, o teu Deus, é santo” (Lv 19, 2).

A espiritualidade dehoniana, que brota do carisma, dom especial de Deus por ele vivido, pode ser chamada a espiritualidade do amor, pois o Coração de Jesus, “o maior de todos os tesouros”, é a expressão máxima do inesgotável amor de Deus por nós. Pe. Dehon sabia muito bem disso, e por isso viveu, alegrou-se, sofreu e morreu para legar à Igreja uma nova congregação, inflamada do amor que brota do Sagrado Coração de Jesus. Por isso, de seus religiosos, Pe. Dehon espera que sejam profetas do amor e ministros da reconciliação dos homens e do mundo, em Cristo (2 Cor 5, 18). Com essa espiritualidade, Pe. Dehon, marcado pela presença do Divino, tornou-se apóstolo do Coração que tanto amou o mundo, procurando viver uma vida de união com Deus e em conformidade com Sua vontade. O “ecce venio” (eis-me aqui) e o “ecce ancila” (eis a serva do Senhor) de Pe. Dehon é a disposição de se unir à disponibilidade de Jesus e de Maria para só fazer a vontade do Pai.Segundo ele, nestas palavras está toda a nossa vocação, nosso fim, nosso dever, nossas promessas (cf. CST 6).

Como escreveu um de seus biógrafos, Pe. Fernando Ribeiro, de Portugal: “Pe. Dehon poderia ter sido muito rico, mas escolheu ser pobre e encontrou o mais precioso dos tesouros – o Coração de Jesus. Poderia ter seguido uma carreira brilhante, mas abraçou o serviço humilde do Evangelho e alcançou a glória mais bela e duradoura – a santidade. Poderia ter ocupado na sociedade uma posição de destaque e atraído as atenções do mundo, mas preferiu pôr-se a serviço dos humildes com dedicação total e obteve a fama que os séculos não apagarão. Poderia ter formado uma família natural, mas quis, antes, amar o Senhor com o coração inteiro e generoso, e tornou-se o pai de uma numerosa família espiritual que prolonga sua ação e sua presença no tempo e no espaço”. Quanta santidade de vida!

Sem dúvida, Pe. Dehon foi um homem corajoso no que tange aos problemas sociais. Obedecendo a ordem do Papa Leão XIII: “publiquem as minhas encíclicas” (sobretudo a Rerum Novarum), em 1894, Pe. Dehon publicou o Manual Social Cristão, livro que foi logo traduzido em diversas línguas e serviu para a formação pastoral social de várias gerações de seminaristas, formação até então quase inexistente. A esse fez seguir outras publicações como: Nossos Congressos (1897); As Diretrizes Políticas e Sociais dos Papas (1897); O Catecismo Social (1898); A Renovação Social Cristã, que recolhe as conferências que pronunciou em Roma, entre os anos de 1897 e 1900. Um dos temas em que Pe. Dehon mais insistia era a necessidade da Igreja ter uma presença significativa nas questões operárias, além de ser um inquieto pelos oprimidos, um ativo analista da política de seu tempo e um místico profundamente mergulhado na contemplação do Sagrado Coração de Jesus. Afirmava ainda que os cristãos e, em particular os sacerdotes, não podem ficar indiferentes diante desses problemas, fechando-se na sacristia, mas deve empenhar-se abertamente em favor da justiça. “Os operários – escreve ele em 1897 – consideram os padres quase cúmplices da opressão que sofrem e, de fato, muito o são, por causa de seu silêncio”. E ainda adverte: “Quando vem o lobo, o pastor não deve esconder-se”. Para Pe. Dehon, a pesca milagrosa não se faz na sacristia, mas no alto-mar. “Devemos nos atirar ao apostolado de transformação social. É preciso ir ao encontro do povo, conhecer suas necessidades e dores”.

Que o testemunho de santidade e do apostolado social de Pe. Dehon seja inspiração para nós, que como batizados, somos chamados a viver a santidade e a solidariedade para com os nossos irmãos que sofrem injustiças.



(Artigo publicado no Jornal “O Município: Dia-a-dia” de Brusque, em 28 de abril de 2005)





Vocação divina, resposta humana





Como é bom viver, tendo a certeza no coração de que, nascidos à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26), fomos planejados, criados, queridos, amados e esperados por Ele. Somos um projeto do amor de Deus, chamados à vivência do amor e da santidade.

Deus nos preparou desde o ventre materno (concepção) e colocou em nós o Seu Espírito. Presenteou-nos com uma graça muito especial: de sermos batizados, filhos e filhas muito amados de Deus. Enriqueceu-nos com seus dons e carismas, que, por sua vez, devem ser colocados a serviço de Deus através da nossa disponibilidade. E na medida em que vamos caminhando, descobrimos os nossos dons e a nossa vocação. Alguns descobrem mais cedo; outros mais tarde. Há outros que nem descobrem.

Um outro aspecto interessante do chamado de Jesus é que Ele não nos escolheu pelos nossos méritos e qualidades, mas por nossas fraquezas. Deus, melhor do que ninguém conhece nossas fragilidades, fraquezas e imperfeições. Mas é na nossa imperfeição que o Perfeito (Deus) se manifesta. Deus não nos escolheu porque somos os melhores, mas sim porque nos ama e porque quer que o sirvamos com o nosso jeito e modo de ser.

A Bíblia nos relata alguns personagens bíblicos marcantes que foram chamados por Deus. Também tinham suas fraquezas e limitações, a saber: Moisés era gago (Ex 6, 30) e matou um egípcio (Ex 2, 11-12); Davi matou Golias (1 Sm 17, 51); Oséias toma uma mulher prostituta e tem filhos com ela (Os 1, 2); Pedro negou a Jesus três vezes (Mt 26, 69-75); Paulo perseguiu a Igreja (At 8, 3; 9. 1, 2; 22, 4; 26. 10, 11), e assim por diante.

Esses e tantos outros personagens bíblicos, que foram chamados por Deus, nos mostram claramente que Deus, na sua infinita misericórdia, nos ama, nos acolhe e nos chama a uma missão (cf. Mc 3, 13). O importante é “acolhermos com generosidade a semente de vocação que Deus colocou em nosso coração”, aceitando a nossa vida e o que a Providência quiser por bem enviar-nos.

Que a graça de Deus e a força de seu Espírito nos encoraje a respondermos positivamente a chamada de Deus, nos ensine a doar a nossa vida e a pôr em prática os nossos dons e talentos, pois “a quem muito foi dado, muito será cobrado” (Lc 12, 48).





A Eucaristia e os pobres



Vivendo intensamente o XV Congresso Eucarístico Nacional, em Florianópolis-SC, entre os dias 21 e 24 de maio, muito me comoveu o tema acerca da Eucaristia e os pobres, proferida pelo Arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes, no Simpósio Teológico.

Em outras palavras, relatou-nos: Certa vez, quando o filósofo Blaise Pascal não podia mais receber Jesus Eucarístico no véu do Sacramento, solicitou a presença de um pobre no seu quarto, que por sua vez, substituiria Jesus Cristo. Do mesmo modo, antes de começar a sua fala, Dom Orlando encontrou Dona Doralice, que trabalha recolhendo latinhas para reciclá-las, e que mora no Morro do Mocotó, periferia de Florianópolis. Ele convidou-a para estar ao seu lado no momento de sua fala, já que também não poderia trazer Jesus Eucarístico naquele momento.

Irmãos e irmãs: como amigos e amigas de Jesus, é nosso dever amar os preferidos de Deus. A Eucaristia nos compromete. Se comungamos Jesus Sacramentado, é nosso dever promover a partilha e a solidariedade, criando laços fraternos e de bem querer. O amor deve ser, com certeza, a marca característica de nossa vida cristã. Como temos coragem de dizer que somos católicos praticantes, enquanto a nível nacional, mais de 14 milhões de pessoas passam fome, em situações de miserabilidade? Bem já dizia S. Tiago: “fé sem obras é morta. De que adiantará um homem dizer que não tem fé se não tem obras?” Ambas devem caminhar juntas. Devem se dar as mãos. Se isto não acontece há algo de errado. Sem dúvida, a nossa oração deverá produzir frutos de caridade, pelo Espírito. Seríamos mentirosos se disséssemos que amamos a Deus, enquanto desprezamos nossos irmãos e irmãs carentes, que clamam por socorro e por melhores condições de vida.

Que a Sagrada Eucaristia transforme a nossa vida, a fim de que “eucaristizemos” o mundo com o nosso compromisso e empenho pela promoção da vida e da dignidade daqueles que não tem o mínimo necessário para viver. Como estar em paz e tranquilo diante desta realidade que vivenciamos?

É preciso começar. Vamos! O que está esperando? É necessário joelho no chão e mãos à obra. Uma certeza temos: Deus caminha com a gente.



(Artigo publicado no Jornal AN Jaraguá, página 2, no dia 04/04/2007 e também disponível em: http://www.iraopovo.com.br/site/index.php?id_coluna=8)







A filosofia e a teologia na vida do homem



Intenta-se, com este artigo, tornar presente a questão do ser humano, que se é estudado na Antropologia Filosófica, além de levá-lo, caro leitor, a refletir sobre dois aspectos essenciais do ser humano: o “ser racional” e o “ser espiritual”. Introduz-se o mesmo servindo das preciosíssimas palavras do Papa Paulo II: “a fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa também chegar à verdade plena sobre si próprio” (JOÃO PAULO II, 2002, p. 5).

O ser humano difere das demais criaturas pelo fato de ser racional, de possuir inteligência. Ele é a única criatura que se recusa a ser o que é. Busca sempre mais, quer desentranhar do interior do seu ser os seus sonhos, seus projetos, suas utopias, seus desejos, querendo ser sempre melhor. O conhecimento e a busca da verdade não são um estado, mas um processo, uma busca que o ser humano faz incessantemente, graças a sua racionalidade. Em Delfos, a inscrição no Pórtico de Apolo: “conhece-te a ti mesmo” continua desafiando e convidando os seres humanos a conhecer-se, afim de que o mistério humano seja parcialmente revelado, tendo em vista que o conhecimento é ilimitado. Quanto mais o ser humano busca o autoconhecimento, mais percebe que necessita se conhecer. “Dentre os variados recursos que o homem possui para progredir no conhecimento de si e da verdade, se sobressai a filosofia, cujo contributo específico é colocar a questão do sentido da vida e esboçar a resposta - eis uma das tarefas mais nobres da humanidade” (JOÃO PAULO II, 2002, p. 7).

O ser humano é espiritual, ou seja, não se limita nem se contenta com o finito, com o imanente, com o relativo; vai além, inclusive de si mesmo, buscando encontrar-se com Deus. “O desejo de Deus também está inscrito no coração humano, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem para si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar” (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 1993, p. 23). A vida humana tem a marca do Divino que acompanha e dá sentido à existência humana, porque é mergulhando no mistério de Deus que o mistério do homem se esclarece verdadeiramente. Como seres espirituais que somos, a Teologia desempenha um papel fundamental, proporcionando aos seres humanos a compreensão da Revelação e da Palavra Divina, à luz da fé.

Tendo-se em vista os dois aspectos essenciais do ser humano acima dissertados (a racionalidade e a espiritualidade), é importante sublinhar o valor que a filosofia tem para a compreensão da fé e as limitações em que se vê, quando esquece ou rejeita as verdades da Revelação. Nenhuma é mais importante que a outra e nenhuma anula a outra. A fé e a razão têm espaço para se encontrarem. “Tanto a fé quanto a razão, uma em prol da outra, exercem função de discernimento crítico e purificador, como de estímulo para progredir na investigação e no aprofundamento do sentido último e definitivo da existência humana” (JOÃO PAULO II, 2002, p. 133 e 135).

(Artigo publicado no Jornal “A Palavra da Paróquia São Luiz Gonzaga”, no mês de novembro de 2004)





Miséria: causas e superações.





Intenta-se, com esta redação, trazer presente a realidade de miséria que atinge grande parte da população brasileira. Não bastando isso, será apresentado seguidamente as causas e as superações da mesma, que tem causado agravantes doenças, e até levado muitas crianças, jovens e adultos à morte.

Quanto às causas, destaco a concentração da riqueza nas mãos de poucos; salários injustos; a ganância (o quer possuir desenfreadamente), que pode ser chamado de egoísmo, fruto da Modernidade, do Capitalismo e do Iluminismo, que colocou o ser humano como o centro de tudo; o desemprego, que tem gerado assustadoramente violências, assassinatos e roubos; a corrupção política (os sanguessugas); ausência de fraternidade e solidariedade; desigualdade social. Prova disso são as desigualdades salarias. Porque um jogador de futebol e uma atriz têm salários elevadíssimos, enquanto um simples agricultor, que coloca os alimentos em nossa mesa tem que receber um salário indigno? Qual o critério utilizado para tanto?

E com certeza, há infinitas formas de superação da mesma. O próprio Jesus Cristo, através de São Lucas, nos Atos dos Apóstolos, apresenta um modelo de comunidade cristã, onde todos colocam aquilo que tem em comum a serviço de todos e não passam fome e necessidades. Porque a ganância, se todos podem viver dignamente, e com o necessário para as suas vidas. Pode até parecer que isso seja uma ilusão, mas não é. Poderá tornar-se realidade, à medida que assumirmos a nossa fé, com obras. “Católico que é católico não passa fome”. É dever da comunidade preocupar-se com aqueles que vivem à margem da sociedade, sem o básico e o essencial para as suas vidas. Como seres humanos, devemos agir humana e amorosamente, querendo sempre o bem dos outros. Não há caminho para a superação da miséria sem amor e partilha. De fato, “Deus ama a quem dá com alegria”. Noutra passagem, diz Jesus: “Tudo o que fizerdes ao menor dos pequeninos, foi a mim que o fizeste”. Ou como dizia Santo Agostinho: “Quem doa aos pobres (e miseráveis) empresta a Deus”.

Tendo em vista o que foi dito, é importante tomar consciência que somos responsáveis uns pelos outros. Através da nossa solidariedade diminua ou até anule a miséria do nosso país, e quem sabe do mundo inteiro. E isso não é fantasia, é um sonho que poderá tornar-se realidade. Avante, acredite e esforce-se para tanto!



Rezar a vida



Minha intenção, com este artigo, é trazer presente duas correntes de espiritualidade que Anselm Grün (monge beneditino e teólogo) nos apresenta em seu Livro “Espiritualidade a partir de si mesmo”: a espiritualidade de baixo e a de cima que, por sua vez, poderá ser muito útil à nossa vida de oração – pessoal e comunitária -, à nossa vida de amizade e de intimidade com Nosso Senhor Jesus Cristo.

A espiritualidade de baixo, que brota daquilo que nós pensamos, sentimos, através do nosso corpo, fraquezas, limitações, fracassos, doenças, enfim, do nosso real, ensina-nos que o conhecimento de Deus passa pelo conhecimento de nós mesmos. Em Delfos, a Inscrição no Pórtico de Apolo: “Conhece-te a ti mesmo” continua nos desafiando e nos convidando a que aprofundemos em nós mesmos, em busca de um maior autoconhecimento e encontro com Deus. A psicologia afirma que o homem chegará à verdade através de um autoconhecimento. Segundo os monges a oração surge no mais profundo de nossas misérias e não de nossas virtudes. De fato, Deus não nos escolheu porque somos os melhores, nem por nossas virtudes. Escolheu porque Ele nos quis e nos ama. A Bíblia nos relata alguns personagens bíblicos marcantes que foram chamados por Deus. Também tinham suas fraquezas e limitações, a saber: Moisés era gago (Ex 6, 30) e matou um egípcio (Ex 2, 11-12); Davi matou Golias (1 Sm 17, 51); Oséias toma uma mulher prostituta e tem filhos com ela (Os 1, 2); Pedro negou a Jesus três vezes (Mt 26, 69-75); Paulo perseguiu a Igreja (At 8, 3; 9. 1, 2; 22, 4; 26. 10, 11), e assim por diante. Sem dúvida, o encontro com Deus passa pela nossa realidade, pelas nossas imperfeições e fragilidades, pelo nosso “barro”. São Paulo nos ensina que “é na nossa fraqueza que a força de Deus se manifesta”.

Tratando-se da espiritualidade de cima, talvez vivida por muitos, ela salienta que Deus nos fala pela Bíblia, pelos sacramentos, pela Igreja. Não se interessa pela humanidade do ser humano. Esta espiritualidade frisa que para chegarmos a Deus devemos ser homens virtuosos, heróis, sem falhas, perfeitos. Está mais ligada aos ideais e não à realidade como tal. É importante também esta espiritualidade, mas não basta a si mesma.

Tendo em vista o que foi dito, ambas espiritualidades devem caminhar juntas. O unilateralismo e o extremismo não nos levarão a nada. É essencial que haja uma profunda relação e tensão entre o nosso ser real e ideal. Para chegarmos ao nosso ideal, para intensificarmos a nossa comunhão e união com Nosso Senhor, em vista de uma maior santidade, deveremos, sem dúvida, aprimorar o nosso autoconhecimento para chegarmos a um maior encontro com Deus e conosco mesmos.



(Artigo publicado no Jornal AN Jaraguá, página 2, no dia 13/04/2007)











Vocação reparadora



É bom viver? Louve a Deus!

Deus, sem lhe pedir nada em troca, mas por gratuidade e graça, deu-lhe de presente o dom da vida, a graça de viver. Deu-nos ainda uma outra grande graça: de sermos batizados, de sermos chamados filhos de Deus (1 Jo 3, 1), de pertencermos a uma família, na qual todos somos irmãos. Sacramento este de capital importância porque, por sua vez, introduz-nos à família de Deus.

Nós, como aspirantes à vida religiosa e sacerdotal e como dehonianos, somos convidados a seguirmos com fidelidade o ideal do nosso fundador: “Quero reparar com meu sofrimento, com minhas disposições generosas, com minha compaixão com meu Senhor entristecido, com aceitação calma, resignada e até mesmo contente e alegre das provocações que se apresentam, eu reparei indo ao extremo da obediência, não fazendo nada de pequeno nem de grande, sem direção, sem controle...” (cf. NQ XXV, 5).

Diante das desmotivações que encontrarmos diante da vida, dos contra-testemunhos e das incoerências, cultivamos sempre o desejo e a vontade de reparar a partir de nós tal realidade. Na verdade é para isso que fomos chamados: para vivermos a reparação. O nosso tempo é carente de reparadores.

Tendo em vista esta tarefa a ser por nós desempenhada, busquemos na espiritualidade e no carisma dehoniano, pelo cultivo da oração e da vivência comunitária a força singular que provém do Sagrado Coração de Jesus.

Juntos vamos ser reparadores, assumindo fielmente a nossa vocação, vivendo de tal modo que Cristo transpareça e viva em nós (cf. Gl 2 20).



Lutar pela inclusão: tarefa nossa



A Campanha da Fraternidade de 2006, proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), vivida e assumida por muitos católicos, que teve como Lema "Fraternidade e pessoas com deficiência" nos fez pensar, refletir e lembrar de uma realidade muito presente no país. Segundo as estatísticas, temos 25 milhões de pessoas com deficiência. Pessoas que, por vezes, são excluídas em diversos âmbitos da sociedade: encontram dificuldade para trabalhar, estudar, conviver... Muitas vezes sofrem humilhações, desprezo, preconceito e frieza de nossa parte.

Mas entre nós não deve ser assim. De fato, "Jesus não veio para os sãos, mas veio para os doentes, para aqueles que precisam de médico". "Ele veio para que todos tenham vida, e a tenham plenamente" (Jo 10, 10).

A Campanha da Fraternidade estimulou-me a refletir sobre o meu modo de ser cristão e motivou-me a rezar pelos portadores de alguma deficiência. Não só isso. Levou-me a trabalhar na Pastoral dos Surdos. Me empenhei e continuo me empenhando em aprender Libras (Língua Brasileira de Sinais) para trabalhar na evangelização e pela inclusão religiosa, educacional, social e cultural daqueles que são afetados por alguma deficiência.

É louvável saber que no país temos uma lei que regulamente o curso de Libras nas escolas, a de número 4.857, que estabelece: "O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente".

Isso é um passo importante. Mas não basta. É também missão nossa dar condições para que pessoas com deficiência superem suas limitações, colocando seus dons e potencialidades a serviço de todos. Temos muito que aprender com os deficientes. Eles nos dão uma aula de sabedoria, mostrando-nos que a deficiência não os impede de darem a sua parcela e contribuição na sociedade.

O que já fiz e o que estou fazendo pela integração e inclusão dessas pessoas na sociedade? Precisamos tirar da nossa cabeça que o deficiente não tem nada para contribuir e oferecer à sociedade. Conheço pessoas deficientes que, desculpem a expressão, colocam muitas pessoas que se dizem normais no bolso.

(Artigo publicado no Jornal AN Jaraguá, página 2, no dia 19 de abril de 2006)





Referências Bibliográficas:



BÍBLIA SAGRADA; Ed. Ave Maria, São Paulo, 1985.



CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 2. ed. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulus; São Paulo: Loyola; São Paulo: Ave Maria, 1993.



DEHON, Pe. João Leão. Regra de Vida SCJ. São Paulo – SP: Escolas Profissionais Salesianas, 1987.



DEHON, Pe. Leão. Tradução de Pe. Manuel Fernando Ribeiro. Directório Espiritual dos Sacerdotes do Coração de Jesus. 2. ed. portuguesa. Lisboa: 1998.



GRÜN, Anselm; DUFNER, Meinrad. Espiritualidade a partir de si mesmo. 2. ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2004.



JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Fides et Ratio. 6. ed. São Paulo: Paulinas, 2002.



Pesquisa On-line no site: http://agenda.saci.org.br/index2.php?modulo=akemi¶metro=1711. Acesso em 19 de abril de 2007.
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