Sobre os relacionamentos humanos I
Em outro artigo, já conversávamos sobre o ser humano e suas relações. Mas aqui quero ater-me à relação intersubjetiva.
De fato, tudo nesta vida é efêmero, passageiro, transitório. Infelizmente, tem-se constatado que as relações humano-afetivas tem sido líquidas, solúveis, desfeitas tão rapidamente que nem nos damos conta. Por vezes, preocupamo-nos com o hoje e o agora. Não há uma preocupação com o futuro, com algo duradouro, com projetos de vida e sonhos a serem construídos e alcançados. Preocupamo-nos sim com a autossatisfação, com o nosso prazer e com a nossa felicidade. Tudo se volta para o EU, para as nossas vontades, nossos gostos e preferências. Não há preocupação com o outro, com os seus sentimentos. O ser humano é visto como objeto, como algo que nos beneficia e nos dá prazer.
Quando estava no seminário estudando para ser padre, ficaram gravadas em meu coração as palavras do meu formador que sempre dizia: “Se queres que o teu casamento perdure, procure fazer o teu marido a pessoa mais feliz do mundo, e vice-versa”. Ou seja, devemos ser menos egoístas e devemos pensar mais nos outros. Talvez isso para nós seja difícil, pois nas relações – e digo isso a partir da minha experiência – somos tão egoístas.
Que possamos, ao longo desta semana, pensar e refletir sobre este tema que nos afeta e nos preocupa.
Sobre os relacionamentos humanos II
Assim como sou fã do Fernando Pessoa, sou fã do Mário Quintana. Diziam seus amigos mais íntimos que ele era o poeta das coisas simples... E concordo com tal afirmação. Sua linguagem poética, tão simples e ao mesmo tempo tão profunda, revela e espelha nossa humanidade, nossa vida em seus variados aspectos, nosso dia a dia.
Aqui nesta reflexão quero trazer presente um de seus ricos poemas, “ipsis litteris”:
"As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui para satisfazer as delas.
Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisarmos de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida".
E digo com todas as palavras o quanto este poema é verdadeiro. Já 'quebrei' tanto minha cara com relacionamentos. Isso porque apostei, me entreguei demais, deixei de ser eu mesmo, de fazer as coisas de que gosto, tudo em função da pessoa amada. Por isso aprendi que, na vida e nos relacionamentos, devemos aprender a ser felizes sozinhos. Somos inteiros, completos. À medida que colocamos nossa felicidade e nossa realização na pessoa amada, quando a perdemos, perdemos o paradigma, a nossa base, o nosso chão. E por isso nos decepcionamos e nos entristecemos. Depois temos que recomeçar tudo de novo!
Que este poema do Mário Quintana nos ajude a refletir sobre a nossa vida, concernente aos relacionamentos humanos e nossa vida humano-afetiva.
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