É bem conhecido o provérbio: "A única coisa permanente em nossa vida é a mudança". E é verdade! Nossa vida está sempre em movimento. É dinâmica. Um rio nunca é sempre o mesmo. As águas que correm não são as mesmas,ensina-nos Heráclito, filósofo antigo. Não somos os mesmos. Não posso comparar o Rodrigo atual com o de dez anos atrás. São Paulo, em sua carta aos coríntios, (1 Cor 13, 11) afirma: "Quando era criança, pensava como criança, falava como criança, mas, quando me tornei homem, deixei o que era próprio da criança". Mário Quintana, num de seus belos poemas, expressa uma ideia semelhante a esta concernente às mudanças e transformações que acontecem em nossa vida com o passar do tempo:
“Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto…é cada vez menos estranho…
Meu Deus, Meu Deus… Parece
Meu velho pai – que já morreu!
Como pude ficar assim?
Nosso olhar – duro – interroga:
“O que fizeste de mim?!”
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga…”
O importante também é percebermos o quanto mudamos de ideias, de paradigmas e de concepções, sejam elas ideológicas, religiosas, políticas, teóricas... O importante é percebermos a riqueza que trazemos presente em nós, bem como nossas variadas experiências e progressos. Não apenas envelhecemos, não apenas vivemos cronologicamente (como ressalta o poema de Quintana), mas construímos nossa vida e nossa história no tempo,com valores e princípios bem definidos, porém mutáveis, pois eles podem ser construídos e desconstruídos com o passar dos anos. Tudo isso graças à mutabilidade e à existência humana que, por sua vez, não é estática. Está sempre em movimento, em devir, em processo de construção e de desconstrução.
* Este poema foi retirado do site http://www.casadobruxo.com.br/poesia/m/marioq22.htm Acesso em 08/08/2011.
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