Creio que a poesia, deveras, exerce um papel importante na vida dos seres humanos. Os escritores e os poetas ilustram um mundo que não é visto pelos simples mortais. Não é tão objetiva, mas subjetiva. Através da poesia não somente se retrata a sociedade, mas ela conta, com sua forma, muitas vezes ambígua, os sofrimentos, as alegrias, as desilusões e as conquistas das gentes.
Para retratar o que disse acima, uma excelente maneira de aprender história, além dos livros de história, é ler a produção poética do período em questão. Quem não conhece o Brasil de Gonçalves Dias não teria se apaixonado por esta terra onde canta o sabiá, onde os céus têm mais estrelas, onde os bosques têm mais vida. O mesmo pode-se dizer sobre os períodos em que a história se mostra de uma maneira obscura e nebulosa. Ferreira Gullar, com sua obra Poema Sujo, nos mostra um Brasil reprimido. Claro também que a poesia serve para a insatisfação do próprio poeta com sua vida: "Vou-me embora pra Pasárgada", obra de Manuel Bandeira, que define a insatisfação pessoal do próprio poeta com sua vida e um desejo escancarado por uma vida desregrada, repleta de prazeres.
A poesia, por sua vez, nos liberta. Através dos poetas está também a nossa voz, o nosso desejo de sermos sempre e cada vez melhores. Ela tem uma função libertadora porque somente através dela os poetas são capazes de realmente se expressarem, e porque não, de revelarem sua subjetividade, medos, sonhos e esperanças. A poesia nos humaniza, alivia nossos fardos, torna a vida mais doce e leve. Bastas vezes nos identificamos com ela porque cala fundo em nosso coração, o que não acontece sempre com romances, contos, textos científicos... (não quero aqui desmerecer esses gêneros literários).
Creio que precisamos e muito resgatar e valorizar a poesia em nossa vida, sobretudo na pós-modernidade em que vivemos, onde se preza demais o tecnológico e científico.
Eis abaixo, para análise e reflexão, o poema de Cecília Meireles, "Lua Adversa”.
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapare.
* Poema retirado do site http://www.casadobruxo.com.br/poesia/c/lua.htm Acesso em 08/08/2011.
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